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Causar alarde sobre juros altos já virou regra no mercado, mas leitura de liquidez puramente financeira não pode sozinha ditar as vantagens competitivas de mercado. É um equívoco presumir desvantagem competitiva de regiões fora do eixo Rio-SP apenas pela taxa de juros, uma vez que as “rebimbocas da parafuseta”, como já foram pejorativamente chamadas, são regiões em pleno desenvolvimento, de acordo com dados do Market Analytics da SiiLA.
O mercado de condomínios logísticos A, A+ e B estão em sua melhor fase da década, com a menor vacância e maior valor de mercado do período, mostrando uma alta demanda que foi alavancada ainda mais pela expansão de operação de e-commerce, com corridas para entregas em até 24h nas cidades médias e nos polos regionais.
Para Lessandro Hebert, CEO da Hebert Engenharia, o comportamento de consumo tende a crescer e impulsionar esse mercado “No caso específico dos investimentos logísticos, o que se percebe é um aumento do costume das pessoas em comprar online e, ao mesmo tempo, um aumento da vontade de receber mais rápido [...] descentralização ou a regionalização é inevitável, porque quem compra num dia, quer receber na manhã seguinte”, avaliou.
A percepção se confirma nos números, e o Sudeste não é o único que está refletindo esse cenário. O segundo maior mercado logístico do país está no Nordeste, com mais de 3 milhões m² e uma vacância de 6,18%. Com uma alta demanda regional, os maiores contratos de locação são de empresas de e-commerce, que estão em disputa por espaços nos ativos.
O Sul é a região com maior metragem de estoque futuro já confirmado para os próximos anos, com 474 mil m² previstos até o momento.
Mesmo no Sudeste, o discurso pessimista associado a regiões interioranas de São Paulo e Minas Gerais não se sustenta. Campinas, um dos polos regionais, tem vacância de apenas 4,63% e Atibaia com 1,38%. Em Minas, Juiz de Fora tem 64,6 mil m² de estoque total, com 15 mil m² ainda vagos, e a maior ocupação vindo do setor de bens e consumo.
Juros sobem e descem o tempo todo, é evidente que a liquidez é atingida, mas especialistas da área ressaltam que o mercado imobiliário não reage imediatamente a elas, uma vez que os períodos de contratos são mais longos e ditados muito mais pela inflação do que pelos juros propriamente dito.
Lessandro avalia que a audácia faz parte da rotina de investimentos, mas todos devem ser embasados por dados consolidados para retratar a realidade mais próxima do mercado. “No final do dia, o que importa é exatamente a rentabilidade percentual sobre o capital investido. É claro que, em momentos de juros altos, há aqueles que preferem o conforto de ‘deixar o dinheiro dormindo no banco’, mas quem tem o empreendedorismo na veia é sabe que esse cenário é cíclico”, destacou.
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