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O isolamento social, um reflexo da pandemia de 2020, prometia mudar os modelos de trabalho e abrir caminhos para repensar a maneira de executar nossas tarefas, em especial o home-office. Porém, o que não era esperado foi a crescente volta aos escritórios nos modelos híbridos ou 100% presencial anos depois, como foi o caso da Amazon.
Segundo Mário Verdi, CEO da Deskbee, plataforma de gestão de workplace, a demanda por escritórios é crescente, mas as empresas estão investindo em ambientes mais confortáveis e funcionais, com maior ênfase no design e na adequação dos espaços para facilitar a interação presencial.
A Deskbee relata em pesquisa com mais de 400 empresas e mais de 380 mil usuários, que entre 2021 e 2024, as reservas de posição de trabalho cresceram cinco vezes, enquanto as de salas de reunião cresceram mais dez vezes.
Contudo, a Deskbee percebeu que houve queda na densidade projetada dos escritórios, saindo de 8 m² por pessoa para 15, 20 e até 30m² por cada colaborador.
A Deskbee ressalta que também há proliferação de espaços de troca como lounges, pequenos espaços de reunião abertos e, definitivamente, um aumento na demanda por salas de reunião.
Para Verdi, a curva de retorno ao modelo 100% presencial atingiu um platô que se mantém há pelo menos um ano. Mesmo com o modelo presencial, o híbrido deve prevalecer.
“Vimos que há dois movimentos acontecendo: busca por espaços menores em regiões mais qualificadas, e a manutenção do espaço com a redução da densidade, dentro de uma nova proposta de design”, completa o CEO.
A empresa chegou a ter clientes que cancelaram o uso de sua plataforma em 2022 e voltaram entre o ano passado e 2024, pois retomaram suas atividades de forma presencial ou híbrida.
Um dos setores que vem ganhando destaque em área de ocupação é o setor FIRE (financeiro, seguros e Real Estate) com 33,3%, seguido por TAMI (tecnologia, publicidade, mídia e informação) em 11,8% e Produtos Empresariais e Serviços com 11,1%, segundo os dados do Market Analytics, da SiiLA.
O recente movimento de empresas como Amazon, Meta e Google para aumentar o trabalho presencial trouxe novamente à tona a discussão sobre o modelo de trabalho ideal.
Bia Nóbrega, especialista em desenvolvimento humano e organizacional conta que em trinta anos de experiência na área o melhor modelo é aquele que equilibra as necessidades do negócio com o bem-estar dos colaboradores.
“Esse equilíbrio envolve flexibilidade, responsabilidade e a capacidade de atrair os profissionais certos, alinhados à cultura organizacional desejada”, conta a especialista.
Segundo a especialista, há prós e contras do trabalho presencial como a interação social e colaboração instantânea e fortalecimento da cultura organizacional. Por outro lado, a flexibilidade é limitada e impacta negativamente o bem-estar dos colaboradores, especialmente em grandes centros urbanos.
Já o modelo híbrido combina liberdade com produtividade além de ser um diferencial competitivo para empresas que desejam atrair jovens talentos e reduzir a rotatividade. Mas o modelo requer uma liderança preparada para gerenciar diferentes dinâmicas e assegurar o engajamento e necessita de infraestrutura que suporte ambos os modelos.
O 100% remoto pode potencializar a produtividade, eliminando o tempo de deslocamento e minimiza gastos com espaços físicos, mas também a interação limitada pode enfraquecer a conexão entre os colaboradores e dificultar a troca criativa.
Mário Verdi, da Deskbee, enxerga como tendência uma reconfiguração dos prédios corporativos, que deverão transformar-se em hubs de workplace.
“Muitas coisas nossos clientes já estão fazendo por iniciativa própria, como oferecer serviços de massagem, yoga, academia, refeições congeladas e entre outras coisas que poderiam ser oferecidos pelos prédios, para todos os inquilinos”, conta.
Uma pesquisa da BMI nomeada de “Modalidades de Trabalho”, publicada em outubro de 2024, mostra que o modelo híbrido continua com força e revela que a maioria das empresas planejam manter ou expandir tal modalidade até 2025.
Ainda assim, o modelo presencial permanece predominante em muitas organizações brasileiras, o que pode ser um reflexo de resistências culturais e estruturais como lembra a especialista de desenvolvimento humano e organizacional, Bia Nóbrega.
Para ela o modelo ideal de trabalho não é estático, ele evolui conforme as necessidades do negócio e as expectativas da força de trabalho.
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