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Com um IPO realizado em dezembro, o novo fundo de escritórios da Kinea, o KORE11, está chamando a atenção de alguns investidores. Desde sua estreia na bolsa, o Fundo vem performando bem, com uma variação positiva de 7,52%, em menos de dois meses.
Em um material divulgado pela Kinea, o fundo apresenta um yield líquido de 15% ao ano (a.a.), nos primeiros 24 meses e com rendimentos constantes devido a estrutura de Renda Mínima Garantida (RMG), a qual o KORE11 foi estruturado.
A RMG é uma alternativa comum para empreendimentos novos, onde o Fundo utiliza parte do IPO ou da venda de algum outro imóvel para suprir um aluguel não pago. Nesses casos, a expectativa é que os imóveis consigam gerar uma renda com os aluguéis após o fim do período do RMG.
O centro do questionamento dos investidores e profissionais do mercado está em torno da capacidade de renda após este período. Será o fundo capaz de manter uma boa renda aos cotistas?
Para um investidor de longa data, a análise deve ser profunda e ir além da artificialidade do dinheiro arrecadado pelo IPO.
Atualmente o fundo conta com quatro empreendimentos, três em São Paulo e um no Rio de Janeiro. Os ativos paulistas são todos classe B e a participação do Kinea é de 100% no Alameda Santos, 89% no Corporate Plaza e, no Morumbi Office Tower, 82%. Já no Centro Empresarial Botafogo a participação é de 100%, e este é o único de classe A do portfólio.
Apesar da vacância baixa, os empreendimentos do KORE11 apresentam algumas características que podem interferir na performance. Mesmo sendo um edifício classe A, o Centro Empresarial Botafogo se encontra em uma região de alta vacância. Segundo o Market Analytics, a Orla atinge 19,24% em ativos de alto padrão.
Já os empreendimentos em São Paulo, estão localizados em regiões também com muito estoque vago, como a Chucri Zaidan, que possui taxa de vacância de 27,19% para escritórios A+, A e B. Ao fazer um recorte de apenas empreendimentos classe B, padrão do Morumbi Office Tower, a vacância na região passa dos 30%.
Fim do RMG
Após dois anos, quando o RMG acabar, o fundo deverá “andar com suas próprias pernas” e garantir a rentabilidade por meio de vendas e aluguéis. Porém, nem sempre isso acontece. Um caso notável é o fundo de shopping center e varejo da Hedge, o FIGS11, que em 2018 terminou o RMG, mas não conseguiu manter os rendimentos e o valor de suas cotas caíram abruptamente.
Quando a Renda Mínima Variável acabar, em 2026, o cenário será diferente do que temos hoje. Para o Rio de Janeiro, a previsão de mercado, realizada pela SiiLA, mostra que o Centro Empresarial Botafogo enfrentará uma cidade com a taxa de vacância na casa dos 25% para imóveis de alto padrão.
A Kinea revelou também que 15% dos contratos de aluguéis vão vencer em 2025 no ativo carioca, 20% em 2026 (ano que o RMG vai acabar) e 25% em 2027 para frente.
A SiiLA é uma empresa multinacional de soluções de dados e análises para o mercado imobiliário comercial da América Latina. A SiiLA oferece no mercado brasileiro o REsource, veículo de comunicação dedicado a notícias e conteúdo sobre o setor. A empresa não atua com intermediação imobiliária, carteiras recomendadas nem outros serviços de consultoria imobiliária.











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