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O mercado imobiliário do Rio de Janeiro está diante de uma nova fase. Depois de um longo período marcado por retração e altos índices de vacância, a capital fluminense volta a atrair o interesse de grandes investidores e desenvolvedores. Movimentos recentes como a aquisição do edifício da Oi pela HSI no Leblon, e o avanço de projetos corporativos da JGP e da Opportunity em Ipanema, reforçam a percepção de que a cidade voltou ao radar dos principais players do setor.
Esse novo ciclo é impulsionado por projetos de revitalização urbana, redução da oferta em regiões centrais, recuperação da demanda por escritórios em áreas premium e novas vocações econômicas, como o crescimento do setor de tecnologia e a instalação de data centers.
No quarto episódio do SiiLA PODCAST, que foi ao ar nesta terça-feira, 22 de julho, Cláudio Hermolin — presidente do SINDUSCON-Rio e vice-presidente da CBIC para a região Sudeste — compartilhou uma análise direta e abrangente sobre os movimentos que vêm moldando o mercado carioca.
Um dos principais vetores dessa transformação urbana é o Reviver Centro, programa da prefeitura que incentiva a conversão de imóveis comerciais em residenciais. Segundo Hermolin, desde a aprovação da lei em 2021, foram lançados 14 empreendimentos residenciais no centro do Rio — nove deles em prédios retrofitados, sendo quatro antigos edifícios de escritórios. O impacto já é visível: a expectativa é que, até o final de 2026, a população residente na região dobre em relação ao período pré-programa.
Além disso, o Reviver Centro vem sendo complementado por iniciativas como o Reviver Cultural (que incentiva novos negócios ligados a cultura e entretenimento) e o Reviver Patrimônio, voltado para casarões históricos em estado de abandono. Apenas nesta última frente, a prefeitura recebeu mais de 400 manifestações de interesse para ocupação e restauração de imóveis no centro histórico.
“Quem ainda não acredita no centro do Rio está desinformado”, afirma Hermolin. “O retrofit está reduzindo a oferta de escritórios e, com mais moradores, há uma tendência clara de valorização dos ativos remanescentes.”
Com geografia limitada e localização privilegiada, a Zona Sul se consolida como a área mais valorizada do mercado de escritórios do Rio. Segundo Hermolin, a vacância na região é próxima de zero e os valores de locação já superam R$ 300 por metro quadrado em edifícios corporativos de alto padrão.
“Estamos vendo o surgimento de uma ‘Faria Lima carioca’, com projetos no Leblon e em Ipanema sendo desenvolvidos por grandes investidores”, afirma. A escassez de terrenos e a alta demanda vêm impulsionando os preços e estimulando novos projetos.
Além da reocupação do centro, outra frente que começa a ganhar fôlego é o Porto Maravilha. Segundo Hermolin, a região já conta com novos empreendimentos residenciais lançados, todos greenfield, e deve receber milhares de famílias nos próximos anos. Esse adensamento populacional tende a impulsionar serviços, comércio e, posteriormente, a retomada do desenvolvimento corporativo.
Mais do que isso, o Porto Maravilha se posiciona como uma das principais apostas do Rio para atração de empresas de tecnologia e instalação de data centers. Com a chegada dos cabos submarinos internacionais, redundância energética e localização estratégica, a cidade vem se destacando como o local mais preparado do Brasil para receber esse tipo de infraestrutura.
“Já existe um projeto da prefeitura para criar um distrito de data centers no Porto”, diz Hermolin. “Após o anúncio, os principais executivos globais do setor já entraram em contato para visitar a cidade.”
Esses investimentos, afirmam os executivos, marcam uma tentativa de diversificação da base econômica da cidade, historicamente concentrada em poucos setores como petróleo, setor público e bancos.
Ainda que o centro e a Barra da Tijuca convivam com níveis mais elevados de vacância e pressão sobre os preços, Hermolin avalia que esses mercados já vivem um ponto de inflexão. “Há uma leitura clara de que os ciclos estão virando. Vemos fundos comprando ativos no centro com visão de longo prazo e retorno ajustado ao risco.”
Na outra ponta, a Zona Sul se consolida como o epicentro da valorização. Em um espaço geográfico pequeno, estão concentrados alguns dos metros quadrados mais caros da cidade, com valores de venda próximos de R$ 40 mil.
Para Hermolin, o momento do Rio é de oportunidade — e de transformação. “O mercado imobiliário é movido ao desejo. Quando as pessoas voltam a frequentar a cidade, a desejar morar, investir, trabalhar aqui, é porque algo mudou. E o Rio está mudando.”
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Sobre o SiiLA PODCAST
O SiiLA PODCAST é o podcast oficial da SiiLA, multinacional
com atuação em dados, análises, mídia e conteúdo sobre o mercado imobiliário
comercial da América Latina. A cada episódio, Giancarlo Nicastro, CEO da SiiLA,
recebe os principais executivos e tomadores de decisão do setor para discutir
tendências, investimentos, ciclos de mercado e estratégias que moldam o
presente e o futuro do real estate no Brasil.











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