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O casamento mais curto do ano deixou R$ 1,033 bilhão na mesa em apenas doze dias, com o cancelamento da compra de parte do Pátio Victor Malzoni e do Vista Faria Lima, que fazem parte de dois fundos da Catuaí e seriam negociados para a TRX. O anúncio explicita “alterações nas condições de mercado, que resultaram na não superação de determinadas condições precedentes previstas na Proposta”, e ainda que não exista a confirmação dessas condições, um olhar em retrospecto pode ajudar a visualizar o cenário da negociação.
A proposta vinculante para as vendas foi assinada em 14 de agosto, quando as cotas do TRXF11 estavam a R$ 79,22 na Bolsa. A proposta previa a compra de 29% da Torre A do Pátio Victor Malzoni do BLCA11, por R$ 474,99 milhões, o que seria equivalente a 7.422 m². Já o Vista Faria Lima negociava 1.933,8 m², cerca de 85,2% do prédio, do CVFL11, por R$ 557,85 milhões.
No anúncio, o SiiLA REsource levantou que o valor do m² cobrado pelo Pátio Victor Malzoni era cerca de 30% maior que os de outros prédios da mesma classe na região. Posteriormente, a TRX argumentou que “a compra de ativos icônicos faz parte de sua estratégia de portfólio”.
A venda ainda tinha como característica principal a aquisição indireta, já que a TRXF11 seria cotista-âncora de um novo fundo que seria gerido pela Catuaí. Após o cancelamento, a TRX manifestou por nota que “a decisão de não prosseguir com a operação, tomada de comum acordo entre as partes, decorreu de uma reavaliação das condições econômicas da transação diante do cenário atual de mercado, conforme Comunicado ao Mercado divulgado nesta data (27/08)”. A Catuaí não respondeu à reportagem até esta publicação.
Apesar de comum, a prática de comprar ativos e pagar fração deles por meio de subscrição de cotas assusta o mercado pelo volume no caso TRX. Até então a negociação com a Catuaí não especificava qual o valor para ser pago por cotas, mas outras das compras feitas pelo fundo divulgaram mais detalhes.
Pelo menos R$ 75 milhões do total de R$ 210 milhões do Log Recife II seriam pagos em cotas do fundo para a Log, enquanto o portfólio da Cy.Capital, de R$ 2,14 bilhões, poderiam ser pagos em dinheiro ou subscrição de cotas, sem detalhes de pagamento divulgados. Na compra do portfólio da Iguatemi, dos R$ 876,15 milhões, R$ 350,5 milhões seriam também pagos com cotas.
Operações dessa magnitude ajudam a expansão de fundos, mas o excesso causa preocupação com a liquidez. Um dos pontos a ser observado é a discrepância do valor da 13° emissão de cotas, em comparação com o valor atual da cota negociada na Bolsa.
No início de agosto, a TRX anunciou a maior emissão de sua história, de R$ 5 bilhões, com a possibilidade de subir para R$ 10 bilhões, e subscrição da cota a R$ 94,39, ao mesmo tempo em que eram negociadas na bola a aproximadamente R$ 89,15. Em 26 de agosto, quando a Catuaí anunciou o encerramento da negociação, a cota do TRXF11 estava a R$ 70,11, um pouco mais de 25% abaixo do valor da emissão. Movimentações desse tipo, em alto volume, se tornam risco pela volatilidade, com o excesso de pressão vendedora que pode desencadear na queda em cadeia que diminui ainda mais o valor da cota na Bolsa.
Existem instrumentos contratuais que protegem o vendedor do ativo de assumir o risco da queda de cota, como a proteção do preço da cota, que garante o pagamento da diferença do valor em Bolsa e aquele do qual foi negociado inicialmente.
Não é confirmado que, com a queda contínua da cotação da TRX, as “condições do mercado” citadas seriam a inviabilidade de garantir a manutenção do valor de cota acordado enquanto na Bolsa segue em pleno declínio, mas essa é uma hipótese do mercado.
Com tantas outras operações dependendo dessas cotas as atenções se voltam para os cronogramas de conclusões das próximas compras, esperando que, diferente do negócio com a Catuaí, de fato sejam finalizadas.
O TRXF11 é um fundo híbrido, com um patrimônio aproximado de R$ 6,05 bilhões e chama a atenção do mercado por movimentações ousadas. Apenas nos últimos dois meses, foram cerca de 4,2 bilhões em projetos, ativos ou negociações em andamento.
O que levantou alerta do mercado na última emissão do fundo, que já é alavancado, foi o valor patrimonial defasado sem nova avaliação de ativos, o que gerou ruido e levou a uma pressão vendedora, consequentemente derrubando ainda mais o valor da cota no mercado, enquanto a emissão ainda estava aberta.
Especialista do mercado avaliam que uma comunicação mais eficiente poderia ter mitigado o transtorno, enquanto a própria TRX assume que poderia ser feito de outra forma, mas tem o otimismo de mostrar aos cotistas a boa performance do fundo. (Leia mais aqui).
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