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O mercado imobiliário nem sempre é tão óbvio. Em uma análise da performance dos ativos corporativos, é possível identificar que imóveis dentro de fundos por vezes possuem uma vacância acima da média do mercado inserido, e, consequentemente, um preço pedido abaixo da média.
Indo além das transações de locação, uma análise do valor pago por m² na compra de escritórios em regiões CBDs de São Paulo, de Classes A+, A e B, indica que, na média, os FIIs pagam mais barato no m² do que nas compras realizadas por empresas institucionais. A diferença em 2023 foi de 23%, onde as compras realizadas por Fundos ficaram na média de R$ 21 mil/m², enquanto fora de Fundos a média do valor pago foi de R$26 mil/m².
A linha mediana de ambos também é diferente. Enquanto dentro do fundo a média histórica é de R$ 15 mil/m², fora dos mercados dos FIIs é de R$ 17 mil/m².
Porém, mesmo comprando mais barato, os Cap Rates das transações realizadas por fundos ficam abaixo das realizadas em imóveis que não compõem fundos, conforme gráfico abaixo.
A análise de CAP RATE é essencial para calcular o retorno de um investimento. No cálculo utilizado pela equipe de inteligência da SiiLA, é analisado o NOI, ou seja, é feita uma análise que engloba o preço pago pelo ativo e a projeção de receita que o imóvel irá gerar. O Cap Rate estabilizado analisa a performance esperada pelo imóvel em um prazo de 7 a 10 anos.
Um dos pontos que chamam a atenção está no valor de locação. Os imóveis que integram FIIs apresentam preços pedidos abaixo da média de seus mercados. Nas regiões CBDs de São Paulo, para ativos A+, A e B, a média hoje é de R$ 92,43/m². Já nos imóveis dentro dos FIIs o valor está em R$ 79,45/m², conforme indica o gráfico abaixo.
Um exemplo do contraste no valor do Cap Rate que pode ser dado é a compra dos andares 10º ao 14º do Bloco I, 6º, 7º e 12º do Bloco II e 2º ao 4ºe 9º ao 11º do Bloco III do Condomínio São Luiz pelo fundo da Kinea, o KNHF11 - Kinea Hedge Fund, em uma transação realizada em fevereiro deste ano com um Cap Rate estabilizado de 6,99%. O imóvel, de Classe B, está localizado na região da JK, em São Paulo.
Em contrapartida, a GS1 adquiriu cinco andares do PVN Corporate Boutique, por R$ 60 milhões, com um Cap Rate estabilizado (que mede a performance esperada para imóvel entre 7 e 10 anos) de 8,22%. O empreendimento, também de Classe B, está localizado a algumas quadras do Edifício Condomínio São Luiz e foi comprado em janeiro deste ano.
Para Giancarlo Nicastro, CEO da SiiLA, isso é um reflexo da má gestão dos fundos. O executivo não generaliza, mas afirma que a explosão de gestoras e o aumento na quantidade de fundos de tijolo trouxe gestores despreparados para o mercado.
“Os fundos compram ativos baratos e terceirizam suas comercializações, não acompanhando de perto as negociações e as dinâmicas do mercado. Alguns focam apenas em reduzir rápido a vacância, para acalmar os ânimos dos cotistas. E, ao não focar no bom retorno a longo prazo, um gestor acaba por priorizar que ativos sejam locados com valores abaixo do mercado. Podemos falar que isso é má gestão”, conta Nicastro.
Para o executivo, a única saída é o investimento. Nicastro afirma que a terceirização é extremamente nociva para o mercado dos FIIs e, além disso, a falta de investimento em equipe e na melhoria dos ativos deve ser prioridade.
“É uma questão de marketing. Um ativo precisa ser atraente e, principalmente, funcional para o inquilino. Se olharmos as proprietárias, vemos constantes investimentos em retrofits e melhorias nos ativos, além de uma equipe interna para comercializar e acompanhar os inquilinos. Os gestores precisam tomar as rédeas de seus empreendimentos”, conclui.











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