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“Será uma oportunidade de fazer algo muito bom”. Foi assim que Adriano Mantesso definiu sua nova fase profissional, agora como head de real estate na Tivio Capital. Em um bate-papo com o REsource, Mantesso contou sobre sua nova função, suas experiências passadas e sua visão do mercado de FIIs.
A frente do novo desafio, Mantesso cuidará da criação de fundos, da gestão de portfólio e de tudo o que for relacionado ao mercado imobiliário. Ele conta que é uma função estratégica e semelhante ao relacionamento com o investidor.
“Fica na minha gestão tudo que estiver dentro do guarda-chuva de real estate, tudo que é imobiliário, seja para investimentos aqui no Brasil ou, futuramente, em outras regiões – desde que envolva tijolo ou crédito imobiliário”, explica.
A Tivio Capital é uma gestora de ativos alternativos e estruturados, anteriormente conhecida como BV Asset, e que o Bradesco recentemente comprou o controle e possui mais de R$ 30 bilhões em ativos sob gestão.
Sobre a situação atual do mercado, Mantesso acredita que é um bom momento para o crédito imobiliário e que os fundos de tijolo da Tivio estão maduros e fortes. Além disso, o executivo acredita que os juros vão permanecer no atual patamar durante um bom tempo.
“Eu acredito que os juros devem permanecer por um prazo longo, maior do que a gente esperava até o ano passado. Mas isso não impede alguns produtos, principalmente de crédito, que é um dos que hoje demanda mais”, explica. Com essa visão, Mantesso conta que há planos na companhia para desenvolver um produto focado no crédito imobiliário.
Investimento em imóveis para o longo prazo
“O nosso legado são fundos que têm mais de 10 anos. O TVRI11, que é um dos nossos principais fundos, é de agências do Banco do Brasil. Recentemente, trocamos para uma gestão ativa e vai ser um fundo de renda urbana. Então, todos os nossos investimentos são de longuíssimo prazo. Pode haver turbulências temporárias, mas a visão é comprar e investir em imóveis de alta qualidade e resilientes para esse ciclo”, conta.
Na visão do executivo, as pessoas não deixarão de investir em imóveis ou de possuir imóveis, seja para trabalhar ou para morar. “Nós sempre estamos fisicamente em algum lugar. Na pandemia, era em casa, mas depois continuamos nos movimentando, seja visitando um shopping, no escritório ou dentro de casa. Resumindo, não estamos ao ar livre. Cerca de 90% do nosso tempo estamos em algum lugar. O setor imobiliário sempre vai superar qualquer crise”, finaliza.
Um dos setores que mais se destacaram durante o bate-papo foi o de shopping centers. Mantesso revela que o setor está se desenvolvendo bem no pós-pandemia e que, culturalmente, é algo que o brasileiro gosta muito.
“A questão do shopping não é a questão do e-commerce. A nossa proposta de shopping é muito diferente do que tem lá fora. É uma proposta de um lugar para estar, um lugar para levar a família, amigos e encontrar gente. Além disso, é um setor pouco ofertado, bem diferente dos Estados Unidos. O mercado brasileiro é 3% do mercado americano”, comenta o executivo. “O shopping é um setor no qual eu aposto bastante”, completa.
Mantesso conta que os serviços oferecidos pelos shoppings os tornaram um diferencial. O executivo cita que os empreendimentos possuem faculdades, salões de cabeleireiro, escolas de idiomas, academias e bons restaurantes.
Além dos shoppings, Mantesso também acredita que há diversos mercados a serem explorados no mundo dos fundos. O executivo cita que “lá fora” existem fundos dedicados a data centers, imóveis do governo, estúdios de produção audiovisual, entre outros.
“Em breve, nós vamos começar a ver esse tipo de ativo vindo ao mercado. Estamos vendo tudo que está acontecendo no mundo. Acho que minha experiência com isso vai ajudar bastante, trazer coisas inovadoras aqui para a Tivio”, afirma Mantesso.
Outro ponto abordado no bate-papo foi a questão do multifamily, conhecido também como moradia para renda, que é algo que vem crescendo no mundo do real estate. O executivo afirma que é “desafiador”, por conta do valor e do repasse.
“O conceito possui um fundamento muito forte e isso acontece no mundo inteiro. Já participei de portfólios bem grandes nos Estados Unidos, México e Chile. Acredito bastante na tese aqui para o Brasil, mas eu acho que ainda tem que se comprovar um pouco o valor da locação final para que essa conta faça sentido. Como não há dados suficientes no mercado para comprovar que a locação faz mais sentido que a venda do imóvel, ainda é difícil tomar uma decisão nesse sentido”, explica.











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