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Na ocupação de empreendimentos corporativos, o valor do aluguel é apenas uma parte do custo enfrentado pelas empresas. No caso do Pátio Malzoni — famoso edifício na Faria Lima que abriga empresas como Google e BTG Pactual — o valor de locação de mercado gira em torno de R$ 310/m². No entanto, o custo de ocupação total salta para R$ 364/m² quando se consideram o condomínio, atualmente em R$ 31/m², e o IPTU, de R$ 23/m². Essas despesas mensais são de responsabilidade do inquilino e impactam diretamente o orçamento para a ocupação corporativa das empresas.
A região da Faria Lima, que concentra alguns dos edifícios mais modernos e valorizados de São Paulo, registra o maior custo médio de ocupação entre os empreendimentos de padrão A+ e A: R$ 314,35/m². Em seguida, aparecem as regiões da JK (R$ 296,62/m²) e Itaim Bibi (R$ 287,73/m²).
Embora o aluguel represente a maior parte do custo de ocupação, as outras despesas pesam nas finanças. Segundo Márcio Kawashima, sócio-diretor da FMR Engenharia Diagnóstica, empresa especializada em laudos diagnósticos e perícias imobiliárias, o custo de ocupação pode ser dividido em duas categorias: diretos e indiretos.
“Nos custos diretos entram itens como aluguel, condomínio, impostos, taxas, energia elétrica, água, esgoto, telecomunicações, limpeza e segurança. Já os indiretos englobam manutenção preventiva, corretiva e preditiva, gestão de espaço, despesas administrativas e seguros”, explica Kawashima.
Essa divisão, segundo ele, permite uma compreensão mais ampla dos elementos que impactam o orçamento com imóveis — para além do que é negociado contratualmente com o proprietário.
Para Igor Reginato, diretor da Colliers, também é importante considerar o custo operacional total da ocupação:
“Devem ser ponderados também os custos de adaptações, manutenção e operação de modo geral. Não apenas os ligados diretamente ao imóvel, mas os relacionados ao funcionamento da empresa naquele local. Um espaço mais bem localizado tende a ter não só aluguel e condomínio mais altos, mas um contexto operacional mais custoso”, afirma.
Márcio Kawashima também esclarece as responsabilidades de cada parte na ocupação de um imóvel corporativo.
“A responsabilidade do proprietário é arcar com os custos de investimento e zelar pela integridade do imóvel como um todo. Já a manutenção rotineira é de responsabilidade do inquilino. A partir do momento em que o imóvel é ocupado, é feito um checklist do estado de conservação, acompanhado de um laudo técnico — um registro formal das condições da unidade. A partir daí, cabe ao inquilino realizar as manutenções e revisões necessárias”, explica.
Segundo ele, em casos de deteriorações mais severas, que demandem investimentos maiores e que não tenham sido causadas por mau uso, a responsabilidade recai novamente sobre o proprietário.
Boa parte desses custos pode ser controlada — ou ao menos prevista. A manutenção preventiva, segundo Kawashima, é uma das principais estratégias para evitar despesas inesperadas:
“É fundamental realizar uma análise preventiva anual. Isso ajuda a manter a integridade do imóvel e permite elaborar um orçamento mais preciso para o ano seguinte. Com planejamento, o risco de surpresas financeiras ao longo do ano diminui consideravelmente.”
Reginato complementa que a falta de planejamento de longo prazo é um erro comum entre empresas:
“Um ponto crucial é a motivação pela qual a mudança de sede está ocorrendo, bem como o planejamento do novo espaço — tanto em termos de tamanho quanto de propósito. Esses fatores precisam ser discutidos com antecedência. Deixar tudo para a última hora compromete todo o processo, e a chance de êxito diminui drasticamente.”
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