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Ontem (30), no segundo dia da quarta edição do evento Logística do Futuro, organizado pela revista MundoLogística, Giancarlo Nicastro, CEO da SiiLA, apresentou dados relevantes sobre condomínios logísticos e falou sobre a as diferenças no tamanho do estoque destes ativos no país. A palestra ocorreu durante o segundo painel do dia, às 9h30, no salão principal do espaço de convenções do Shopping Frei Caneca, em São Paulo.
Durante os dois dias do evento, que começou na quarta (29) e reuniu expositores, teve palestras com convidados nacionais e internacionais, nas quais empresários de diversos setores abordaram os desafios das operações logísticas.
Utilizando dados da plataforma de inteligência da SiiLA, o Market Analytics, Nicastro destacou pontos importantes, como o desequilíbrio entre oferta e demanda. Hoje, diversas regiões do país apresentam taxa de vacância abaixo dos 10%. O executivo explica que quando a taxa de vacância está entre 12% e 15%, significa que o mercado está equilibrado. Ele exemplifica que quando a vacância está acima de 15% o inquilino consegue negociar os valores, mas quando o valor é inferior à 12% não há margem para negociação.
“Eu afirmo aqui para vocês, o mercado de todo o Brasil está desequilibrado, ele está a favor dos proprietários”, afirma e alerta: “quem está buscando projeção, quem está querendo expandir seu negócio, não é brincadeira, [...] dependendo da região, corre o risco de não ter a disponibilidade de galpões logísticos nos próximos 6 a 12 meses”.
De acordo com a apresentação do CEO, atualmente, a taxa de vacância do país está em 8,29%, uma redução de mais de 2 pontos percentuais em relação ao ano de 2022. E o preço médio pedido de aluguel hoje é de R$ 23,60/m² - dados com base em empreendimentos A+, A e B.
A segunda parte do painel constituiu em um bate-papo entre Renata Torres, VP Dark Stores do iFood, que atuou como mediadora, André Gavazza, SVP Development da GLP, Alexandre Felix, COO da Loggi, e o próprio Giancarlo Nicastro.
Um dos pontos destacados da rodada de perguntas girou em torno de uma nova maneira de olhar a logística. Andre Gavazza afirma que antigamente “olhava-se apenas o metro quadrado, os locadores e os players de e-commerce olhavam o valor da locação, [...] mas não propriamente viam o custo como um todo, o que engloba os custos de encargo do real estate, aluguel, condomínio e IPTU, somado aos custos operacionais, mão de obra e custos do ISS. Quando se analisa o custo do real estate propriamente dito, a gente fala de apenas 5% dos custos da operação”.
O COO da Loggi, falou um pouco sobre os desafios do last mile e o abastecimento de grandes centros urbanos. Ele explicou que o perfil do consumidor das grandes metrópoles, como São Paulo, faz com que a dinâmica da região seja diferenciada, que se faz necessário uma infraestrutura adaptada para as demandas.
“Cada vez mais as pessoas estão comprando em quantidades menores, mas o número de sortimento é alto, o que isso significa? Pensando em um futuro próximo, como que fica a mobilidade da cidade? Não é só mais o trânsito das pessoas indo e voltando do trabalho, é também o trânsito das mercadorias. Isso é um conceito que já está acontecendo em outros países, não chegou aqui, mas vai chegar em breve.”
Desenvolvimento de outras regiões além do Sudeste
A concentração de centros logísticos na região sudeste foi um fato apresentado e questionado durante a palestra. Dados do Market Analytics mostram que 76,66% dos condomínios logísticos estão no Sudeste, são mais de 18 milhões/m² na região, contra 2.3 milhões/m² no Nordeste e 2.3 milhões/m² no Sul.
Apesar do gap entre os polos, outros locais do Brasil apresentam oportunidades de investimento, afirma Giancarlo Nicastro. “Quando falamos da região norte, basicamente estamos falando da Zona Franca de Manaus, é uma região que tem 400 mil/m², tem oportunidade, mas a condições das rodovias não são boas, as ferrovias ainda não funcionam e as hidrovias são limitadas, mas como é um mercado pequeno, eu vejo uma oportunidade.”
“O que chama atenção é o quanto se desenvolveu o Nordeste, [o preço médio pedido por m²] foi de R$ 16,60 para R$ 27,10, mas por quê? Porque enxugou o estoque que estava disponível. Então, se me perguntassem onde eu construiria um galpão hoje, eu falaria ‘bem longe do Sudeste’, é onde está ganhando preço, diminuindo demanda e gerando oportunidade”, finaliza.











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