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O ano de 2024, especialmente no último trimestre, foi marcado pela alta taxa de juros, influenciando diretamente o setor imobiliário e a performance dos FIIs. A equipe do REsource conversou com exclusividade com dois especialistas em fundos imobiliários: Ricardo Figueiredo, Gerente Executivo de Fundos Imobiliários da Finclass e Sócio do Grupo Primo, e Marcos Baroni, Analista de Fundos Imobiliários da Suno Research.
Figueiredo comenta que as expectativas para a economia no final de 2023 eram “muito mais otimistas do que a realidade encontrada ao longo do ano”. Segundo ele, esperava-se uma Selic próxima de 9%, crescimento do PIB de 1,5% e dólar em torno de R$5. Contudo, o cenário de 2024 mostrou-se mais desafiador, com a Selic subindo, o dólar em alta e o IFIX registrando desvalorização. “Em 2020, durante a pandemia, tivemos uma queda de 10,2% no IFIX. Tudo indica que 2024 consolidará um desempenho ainda pior,” observa Figueiredo.
Marcos Baroni acrescenta que, até setembro, os FIIs estavam “andando de lado”, mas, em outubro, a elevação da Selic trouxe pressão nos preços dos ativos imobiliários. “Os investidores passaram a preferir produtos de renda fixa, que ficaram mais atraentes,” explica. Apesar disso, ambos os especialistas concordam que o momento é oportuno para investir em FIIs, com cotas negociadas abaixo do valor patrimonial.
“Hoje, o cenário de juros futuros muito elevados traz uma pressão sobre os fundos imobiliários, mas ao mesmo tempo oferece preços descontados, especialmente para aqueles fundos que possuem um bom histórico de gestão e qualidade. Para quem tem paciência e uma estratégia de longo prazo, esse momento pode ser muito favorável”, destaca Baroni.
Figueiredo reforça: "Estamos em um 'mar de oportunidades, mas com ondas'. Pode haver mais volatilidade a curto prazo, mas quem se posiciona estrategicamente, comprando de forma consistente, pode colher frutos substanciais futuramente."
Baroni diz que os investidores devem seguir o seu plano de compras, mesmo diante da incerteza do cenário econômico em 2025. Embora seja impossível garantir que os preços dos FIIs não cairão ainda mais, o momento é bom para adquirir cotas. No entanto, o analista alerta os investidores sobre os cuidados na compra e na seleção dos fundos.
“Não dá para dizer que quem vai ao supermercado e vê uma prateleira de verduras e frutas vai pegar qualquer uma. É sobre saber escolher a melhor oportunidade. O processo de apuração passa por isso: fazer com que gestores e investidores saibam escolher os melhores investimentos e comprem com qualidade. Em 2025, acredito que o mercado, apesar dos sustos, sairá mais fortalecido,” diz Baroni.
Para o próximo ano, Figueiredo completa dizendo que as projeções de novas altas para a taxa Selic vão gerar desconforto e instabilidade no mercado. “2025 será um ano de colheita! Por isso é importante escolher e saber onde se coloca o dinheiro. Vamos ver como esses ativos anteriormente comprados irão performar,” finaliza.
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