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Os prejuízos do escândalo do Banco Master possuem novos desdobramentos, desta vez afetando shopping centers e restaurantes. A vítima é o BRB, o Banco de Brasília, que está recebendo participações em empreendimentos como forma de compensação pelas perdas ao comprar títulos fraudulentos, que deram origem à investigação que levou à prisão de Daniel Vorcaro.
Mesmo sem a intenção, Nelson Antônio de Souza, presidente do BRB, tornou-se proprietário de uma grande rede do setor varejista e alimentício. Com isso, a posição atual da instituição financeira é liquidar esses ativos.
Por enquanto, o banco é proprietário de bares e restaurantes de marcas como Tatu Bola, Eu Tu Eles, Nino Cucina, Boteco Rainha e Camarada Camarão, por meio do grupo Alife Nino.
Já os shoppings, em Brasília, Espírito Santo, Goiás e Paraná, integravam o fundo de investimento imobiliário Macam Shoppings.
Até a conclusão dessa reportagem o BRB não comentou sobre o assunto.
O FII Macam Shoppings reúne quatro empreendimentos: Boulevard Brasília, Boulevard Londrina, Boulevard Vila Velha e Passeio das Águas. No entanto, o fundo não detém a totalidade da propriedade desses ativos.
No Boulevard Brasília, a participação do FII é de 90%, enquanto no empreendimento de Londrina é de 80%. Já o Boulevard Vila Velha, no Espírito Santo, conta com uma participação de 50%, e o Passeio das Águas, em Goiás, tem apenas 10%.
Além desses ativos, o Shopping Praça das Dunas também integra o portfólio do FII Macam Shoppings. O empreendimento, porém, ainda está em construção, com previsão de entrega em 2027. Até o momento, não há informações sobre se a propriedade ficará com o BRB.
Essa situação faz parte de um escândalo financeiro e político de grandes proporções, conhecido como Operação Compliance Zero. As investigações da Polícia Federal apontam que as fraudes envolveram a venda de carteiras de crédito inexistentes ou “podres” do Banco Master para o BRB.
Quando a fraude começou a vir à tona e o Banco Master enfrentou uma crise de liquidez, foi feita uma negociação para tentar “estancar” o prejuízo do BRB. Em vez de dinheiro, o banco recebeu cotas de fundos de investimento. Assim, o banco tornou-se dono indireto do grupo Alife Nino e do fundo Macam.
Tudo isso trouxe consequências ao BRB. Em janeiro, a S&P Global rebaixou as notas de crédito do banco devido ao risco reputacional persistente. Além disso, o ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, e o diretor financeiro foram afastados dos cargos em razão das investigações. Em depoimento, o ex-presidente afirmou que não tinha “clareza” sobre as fraudes no momento das operações.
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