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Os comentários de Donald Trump, candidato republicano à presidência dos EUA, prometendo taxar veículos elétricos produzidos no México e exportados para os Estados Unidos, repercutiram no mercado de imóveis logísticos mexicano. Muitos atribuem as declarações do político como a principal razão para a suspensão temporária da construção da fábrica da Tesla no país, localizada na cidade de Monterrey, um importante polo logístico.
A decisão da montadora, liderada por Elon Musk, de suspender a construção do complexo industrial pode ter sido influenciada por uma série de fatores, alguns políticos, outros estratégicos e comerciais. Com isso, o tema despertou atenção.
A visão de Musk de um futuro com automóveis totalmente eletrificados enfrenta muitos desafios. A escassez de lítio, que limita a produção de baterias; a infraestrutura insuficiente de estações de carregamento; e a logística de reabastecimento dos veículos tornam seu uso ineficiente em comparação com alternativas como os carros híbridos, que hoje são muito mais populares.
Apesar desses desafios, a indústria de veículos elétricos no México vem crescendo. Várias empresas que fornecem insumos para o setor expandiram suas operações no país nos últimos anos. A estratégia dessas empresas já visava não apenas fornecer insumos para uma fábrica local da Tesla, mas também para outras marcas de automóveis e até para as operações da própria Tesla no Texas, onde a companhia de Musk continua operacional.
O anúncio da construção da fábrica da Tesla em março de 2023 fez disparar os valores de aluguel e preços de terrenos no mercado de Monterrey, um fenômeno conhecido como o "efeito Tesla". No entanto, outros fatores também estavam em jogo.
Antes do anúncio, o mercado de imóveis logísticos da capital do estado de Nuevo León já vinha experimentando aumentos nos valores de aluguel, impulsionados principalmente pela crescente demanda por espaços industriais e um estoque reduzido. Essa situação resultou em uma queda nas taxas de vacância em Monterrey e outros grandes mercados industriais por todo o México.
Mais de 16 meses após o anúncio, o mercado industrial no México enfrenta uma realidade diferente. Em geral, o dinamismo do setor durante o primeiro semestre de 2024 foi mais lento do que o observado em 2022 e 2023. Fatores como a saturação da rede elétrica, as eleições e a próxima renegociação do acordo de livre comércio entre México, Canadá e Estados Unidos desaceleraram as taxas de absorção nos mercados importantes.
Essa diminuição na demanda é agravada por um aumento nos níveis de construção, fazendo do primeiro semestre de 2024 o período com maior atividade construtiva em quatro anos, superando os níveis de absorção pela primeira vez nesse período. Isso aumentou a taxa de vacância, que vinha caindo desde meados de 2020 e se manteve baixa até o final de 2023.
O México continua sendo um destino atraente para investimentos devido à sua política externa favorável, 14 acordos de livre comércio com mais de 50 países, além da estabilidade política e da força de suas instituições, que são fatores importantes para a confiança dos investidores.
Embora a política interna mexicana determine sua atratividade a longo prazo, as condições atuais indicam que o país continua sendo um local favorável para investimentos estrangeiros. Em um contexto global onde as tensões políticas podem dissuadir investimentos em outros países, o México oferece um ambiente mais estável e amigável para negócios, seja por suas condições macroeconômicas, sua sólida relação comercial com os Estados Unidos, seus incentivos fiscais regionais — particularmente no norte do país —, e a força de seu setor imobiliário industrial.
Este setor, vale ressaltar, se beneficia principalmente da tendência de nearshoring, à medida que as empresas buscam aproximar suas cadeias de suprimentos de mercados-chave como os Estados Unidos, mitigando riscos e reduzindo custos operacionais.
Nas terras tupiniquins, ainda não há um movimento semelhante. O primeiro semestre de 2024 registou 79.304 emplacamentos de veículos elétricos, de acordo com a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico). Ao todo são mais de 300 mil veículos eletrificados em circulação no País. Dados do Ministério do Transporte ainda revelam que a frota total de veículos é estimada em 119 milhões de automóveis.
A BYD, por exemplo, está investindo de maneira robusta no Brasil e, além disso, é crescente a importação de veículos vindos diretos da China. De acordo com a ABVE, a BYD domina o ranking de veículos leves eletrificados, com três modelos da montadora assumindo os primeiros lugares do ranking de vendas.
O que também pode beneficiar esse mercado é a recente sanção do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, lançando o programa Mover, política automotiva brasileira com foco em veículos com maior eficiência energética e sustentabilidade ambiental.
Porém, em decisão apoiada por tradicionais fabricantes de veículos que atuam no Brasil, foi aprovada uma nova alíquota que eleva o Imposto de Importação dos veículos eletrificados. A medida entrou em vigor no último dia 1º de julho.











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