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Com o mercado de logística bastante aquecido, principalmente, pela alta nas vendas do comércio eletrônico e, por consequência, pelo aumento na demanda por galpões logísticos, a Bresco se prepara para iniciar as obras do primeiro parque logístico vertical do País, previsto para entrar em operação no segundo semestre de 2026.
Conforme apurado pelo REsource no início deste ano, os parques logísticos verticais — ou galpões multinível/double story — já são realidade em países asiáticos, onde grandes áreas de terrenos para construção desses tipos de ativos são bastante escassas, além de representarem uma tendência para a América Latina, pois, apesar de representarem um investimento mais alto durante sua construção, na comparação com galpões comuns, acabam justificando o aporte pela área bruta locável maior, o que acaba equilibrando o retorno sobre o valor investido.
No México, a desenvolvedora imobiliária especializada em propriedades verticais para Last Mile Interlogix está construindo cinco galpões logísticos multinível na Cidade do México. De acordo com a empresa, até o final deste ano, estão previstas as entregas de mais de 125 mil metros cúbicos de espaços verticais para armazenamento de cargas e produtos, e outros 250 mil metros cúbicos tem previsão de entrega para o final de 2026.
Ao menos no mercado mexicano, de acordo com a Interlogix, os galpões verticais são voltados à otimização de espaço, capacidade de lidar com operações em grande escala e volume de pedidos oriundos do comércio eletrônico cada vez maior, propiciando aos ocupantes entregas mais rápidas, por vezes em até 24 horas.
No Brasil, segundo a Bresco, a premissa para o Bresco Raposo, parque logístico vertical que ficará localizado na zona sul da capital paulista, próximo ao Raposo Shopping e com acessos facilitados às rodovias Régis Bittencourt e Raposo Tavares, deve seguir a mesma estratégia mexicana, ou seja, atender inquilinos com estratégias voltadas ao 'last mile'.
"Será um projeto icônico, realmente marcante para nós e para todo o mercado logístico brasileiro. Possuímos dois parques logísticos semelhantes no Japão e, com essa expertise, entendemos que, com o aumento da demanda por espaços do tipo tornou-se mais viável", comenta o CFO e sócio da Bresco, Rafael Fonseca.
Apesar de não abrir o valor do investimento no empreendimento, Fonseca avalia que o projeto potencializará a área armazenável e que, mesmo que a construção do parque logístico vertical custe mais caro na comparação com galpões horizontais, o ganho de área bruta locável (ABL) ao contar com dois andares justifica o aporte e traz mais eficiência ao projeto.
Ainda segundo o executivo, mesmo em fase de aprovação do projeto, o Bresco Raposo já chamou a atenção de potenciais inquilinos. Além disso, a depender das negociações futuras, o empreendimento pode também se tornar um "Built to Suit (BTS)".
"Tem muita gente acompanhando o desenrolar desse projeto. Conforme ele avança, as conversas se intensificam. A partir do momento do início da construção, previsto para ocorrer em 2025, teremos uma previsão mais concreta quanto às negociações pela ocupação do galpão", acrescenta.
Fontes do mercado de Real Estate indicam que duas empresas de e-commerce e outras cinco companhias que não atuam no varejo eletrônico demonstram interesse pela ocupação do imóvel. Para Fonseca, da Bresco, por estar dentro da capital paulista, o empreendimento deve atender, primordialmente, empresas que precisam lidar com grandes movimentações diárias e fluxo contínuo de entradas e saídas de produtos.
O Bresco Raposo será um parque logístico de classe A+ e contará com uma área total de 43,6 mil metros quadrados. O projeto contempla um pé-direito de 8m e resistência de piso que varia de 2,5t/m² a 6t/m². Na avaliação de Fonseca, CFO e sócio da Bresco, o preço de ocupação no empreendimento pode ficar em torno dos R$ 40/m².
No Condomínio Centro Logístico Raposo, também de classe A+, localizado próximo à região onde será erguido o Bresco Raposo, o valor de mercado, segundo a SiiLA, é de R$ 17,88/m².
A Bresco adquiriu o terreno para a construção do parque logístico vertical em 2020. Antes da aquisição, funcionava no local um prédio de arquivos do Itaú.
"Somos investidores disciplinados. Não estamos investindo nesse projeto para ganhar visibilidade, mas sim por entender que a demanda de locatários anseia por esse tipo de imóvel. Em relação ao cap rate, acreditamos que ficará em patamar semelhante ao de outros empreendimentos voltados à logística", complementa.
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