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Rendimentos do KORE11 devem cair até 50% com o fim da RMG, e fundo entra em nova fase de maior exposição operacional

  • Fundo da Kinea projeta dividendos mensais entre R$ 0,60 e R$ 0,63 após dezembro de 2025, com o fim da Renda Mínima Garantida (RMG)
  • Com impacto direto nos rendimentos, o caso reacende o debate sobre os efeitos e limitações desse mecanismo nos FIIs

Alessandro Estevam, portfolio manager da Kinea Investimentos
Alessandro Estevam, portfolio manager da Kinea Investimentos
Por: SiiLA News
28/07/2025

Desde seu IPO, no fim de 2023, o KORE11 vinha se destacando entre os fundos de lajes corporativas com um dos maiores rendimentos mensais do segmento: R$ 1,25 por cota. Parte desse desempenho foi sustentada pela Renda Mínima Garantida (RMG), mecanismo frequentemente utilizado por FIIs para suavizar o impacto inicial da vacância ou da maturação incompleta de um ativo recém-adquirido.

Segundo o último relatório gerencial, essa fase está próxima do fim. A expectativa da Kinea, gestora do fundo, é que a RMG se esgote até dezembro de 2025. A partir de então, os rendimentos devem passar por um ajuste relevante, com projeção de dividendos mensais entre R$ 0,60 e R$ 0,63 por cota — uma queda de até 50%.

“Considerando o atual nível de geração de receita do fundo, o consumo da RMG e a projeção de absorção das áreas vagas, os dividendos anuais devem se estabilizar entre R$ 7,20 e R$ 7,56 por cota”, informou a gestora.

A expectativa de corte nos dividendos indica que o portfólio do KORE11 ainda não é capaz de sustentar, por si só, o patamar de retornos inicialmente apresentado ao mercado.

O cenário, agora oficializado pela gestora, já havia sido antecipado por especialistas da SiiLA no início de 2024, após o IPO do fundo. Na ocasião, reportagem publicada no REsource apontava que, apesar do FII apresentar um dividend yield atrativo, a renda era fortemente dependente da RMG — e que o real teste de performance viria quando o fundo precisasse “andar com as próprias pernas”. Leia a reportagem: Renda Mínima Garantida é aposta de FII da Kinea com escritórios Classe B.

Embora a RMG possa ser útil como mecanismo de transição em imóveis em desenvolvimento ou ainda em fase de estabilização, especialistas consultados pelo REsource alertam para o risco de sua aplicação prolongada. Quando usada desde o IPO — como no caso do KORE11 — a RMG pode retardar a leitura crítica sobre a capacidade do fundo de gerar receita de forma orgânica e expor fragilidades apenas após o fim do subsídio. O encerramento da RMG trará à tona, de forma mais transparente, o desempenho real dos ativos.

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