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Após um longo período de chuvas e enchentes, o Rio Grande do Sul está passando por um período de reconstrução. Segundo a Confederação Nacional de Municípios (CNM), o prejuízo causado pela crise climática ultrapassou a marca de R$ 12,5 bilhões, diretamente. De acordo com o último boletim do governo estadual (08/07), foram 478 municípios afetados e mais de 2,3 milhões de pessoas atingidas direta ou indiretamente.
A região banhada pelo Rio Guaíba, ao leste do Estado, foi uma das mais afetadas, atingindo diretamente a capital Porto Alegre e suas cidades satélites. A região possuí um estoque de 351 mil m² de escritórios e os que foram afetados pela chuva estão, principalmente, na região de Porto Alegre.
Tiago Alves, CEO da Regus/Spaces, contou, em entrevista ao REsource, os impactos que a unidade da Regus sentiu durante esse período. O executivo conta que a unidade Guaíba está isolada, pois o Centro Empresarial Guaíba, no qual a unidade está localizada, prossegue inoperante.
“Uma de nossas unidades, a Regus Guaíba, que fica bem em frente ao Rio Guaíba, não foi afetada diretamente. No entanto, o prédio onde está localizado o escritório ficou alagado e, por conta disso, o espaço ainda está fora de operação. A previsão é de que as atividades retornem à normalidade no início do próximo mês”, prevê Alves.
O CEO explica que o impacto financeiro é considerável, pois, com a unidade fechada, muitos de seus clientes tiveram que cancelar seus contratos. Neste momento, a empresa está negociando com os clientes da unidade Guaíba e, além disso, mantiveram a sua segunda unidade em funcionamento adotando a política de portas abertas, com o intuito de receber pessoas que necessitavam de conexão wi-fi durante a crise.
“Muitos empresários que tiveram seus escritórios impactados pelas enchentes acabaram por migrar para nossa unidade localizada na Av. Carlos Gomes, não apenas contratando o serviço de escritório flexível, mas também contando com o benefício de associação para sua equipe ter um local para trabalhar de forma segura e com conforto, dado o cenário vivenciado. Essa unidade está operando quase em sua capacidade máxima no momento, e temos a expectativa de inaugurar uma nova unidade Regus na região em novembro deste ano”, indica Alves.
Pelo lado do poder público, o governo estadual criou o MEI RS Calamidades, um programa de incentivos aos microempreendedores individuais atingidos pelas enchentes. Segundo o site oficial, é esperado que sejam destinados R$ 96 milhões de reais aos 22 mil microempresários que se enquadram nas regras.
Os dados da CNM estimam um prejuízo de mais de R$ 132 milhões no comércio local e R$ 89 milhões em serviços.
Os condomínios logísticos também sofreram com as fortes chuvas e enchentes. A CNM estimou que a indústria, no geral, sofreu um baque de R$ 268 milhões. O mapeamento da SiiLA identificou 47 empreendimentos na região metropolitana de Porto Alegre nos quais ao menos 35 estavam dentro da área de risco.
Um dos empreendimentos afetados foi o Bresco Canoas, que abriga empresas como a Natura e FN Logistics. O ativo de 33 mil m² de ABL foi diretamente afetado pela cheia, mas, segundo a proprietária, o empreendimento já se recuperou e voltou a funcionar.
“A medida em que água baixou, foi possível acessar o imóvel e iniciar os trabalhos de recuperação para a normalização das operações. As iniciativas passaram desde o reestabelecimento dos serviços de utilidades básicas, o sistema de segurança, o refeitório e demais serviços de manutenção, até a realização de uma higienização total do empreendimento. Atualmente, cerca de 100 pessoas trabalham no local. A parceria com os inquilinos e fornecedores foi crucial para a recuperação das operações num curto espaço de tempo”, afirma, em nota, a empresa.
Além disso, durante a calamidade, a companhia utilizou outros empreendimentos, como o Flex Viracopos, em Campinas (SP) para auxiliar na distribuição de mantimentos na região. A ação foi gerada por meio de uma parceria entre a Bresco e a Azul Cargo.
Não são só os microempresários que estão recebendo benefícios governamentais, mas as empresas da região estão sendo comtempladas com isenção de impostos, como o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na compra de máquinas, equipamentos e veículos danificados ou perdidos. Além disso, as companhias estão contando com auxílios como a facilitação de trâmites de importação, a criação de um programa com condições especiais para o parcelamento de dívidas de ICMS e a prorrogação dos prazos de pagamento do ICMS e do Imposto sobre a Transmissão “Causa Mortis” e Doação, de quaisquer bens ou direitos (ITCD), sem juros e multa.
De acordo com o Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs), as pequenas e médias empresas apresentaram uma expansão no faturamento de 9,7% em junho – o que foi justificado como um reflexo da recuperação do Estado.
Porém, para o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem (ABESC), Wagner Lopes, e para o professor da área de Patologia das Construções e Tecnologia do Concreto da Universidade do Vale dos Sinos, Bernado Tutikian, é necessário ter cautela e ficar atento para uma possível falta de insumos.
Segundo ele, “as águas ainda não baixaram totalmente e muitas empresas do setor também foram atingidas e as que não estão nestas condições devem ir se preparando para o aumento da demanda”.
“Precisamos aguardar para que, após uma limpeza e desinfecção, avaliemos o que precisa ser reconstruído e o que pode apenas passar por uma manutenção”, acrescenta.
Tanto Bernardo quanto Lopes acreditam que haverá uma falta de insumos, causada tanto pelo fato do local onde as indústrias estão localizadas ainda estarem debaixo d’água, quanto pelo fato de a infraestrutura não ter sido recuperada.
Em relação às estradas, até o momento do fechamento desta reportagem, a Polícia Rodoviária Federal informou que existem apenas dois bloqueios parciais na região metropolitana de Porto Alegre. Já no Estado, foram identificados 17 bloqueios totais e 37 bloqueios parciais, realizados pela Polícia Estadual e Federal. Além disso, o governo disponibilizou um portal com opções de rotas alternativas.







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