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Segundo o último Boletim FII da B3, entre os dez fundos mais negociados em junho, os FIIs de shoppings aparecem duas vezes na lista, em primeiro e em quinto lugar. Em um recorte de 12 meses, o FII mais negociado também é de shopping center.
Quem lidera os rankings, mensal e dos últimos 12 meses, é o XP Malls (XPML11). Em junho, as negociações do fundo da XP dedicado a shoppings representaram 6,3% dos 5,7 bilhões de fundos negociados na Bolsa.
Felipe Teatini, responsável pela área de relacionamento com investidores do XP Malls, explica que vários fatores estão levando a estes resultados. Mas, “sem dúvida, o principal motivo disso são as emissões”, revela.
“Toda vez que você tem uma oferta, você acaba gerando um certo burburinho no mercado e isso gera uma liquidez maior”, acrescenta o executivo.
O XP Malls vem investindo forte na aquisição de novos empreendimentos. Na reta final de junho, o fundo adquiriu uma porcentagem de seis propriedades da SYN, sob a cifra de R$ 2,1 bilhões. A transação envolveu imóveis como os shoppings Cerrado, Cidade São Paulo, Tietê Plaza e outros.
Já em julho, o fundo investiu R$ 273 milhões em uma nova aquisição, que incluiu os shoppings Bela Vista, Ponta Negra e a terceira expansão do Catarina Fashion Outlet.
“Existem excelentes oportunidades de aquisição no Brasil. Eu diria que, a curto e médio prazo, nosso trabalho é absorver essas aquisições que fizemos – o fundo triplicou de tamanho nos últimos 18 meses. Ao olhar para um horizonte de longo prazo, vamos seguir atentos a boas oportunidades e, caso apareçam, vamos voltar ao mercado para captar”, indica.
O crescimento dos fundos de shopping centers acompanha o bom desempenho do setor. Dados do GROCS, plataforma de dados e análises de shoppings da SiiLA, mostram que o volume de vendas por m² vem crescendo em shoppings de todas as classes (A, B e C), desde 2021.
Esse crescimento não é apenas monetário, mas também físico. Novos 650 mil m² de ABL de shoppings devem ser entregues no Brasil nos próximos anos, segundo o GORCS da SiiLA.
“O shopping center no Brasil tem se provado um ambiente muito saudável. Nós conseguimos nos adaptar de forma muito rápida. No final do dia, o grande valor da indústria de shoppings no Brasil é a localização dos imóveis. Eles estão no meio das cidades, diferente de outros países, onde ficam em regiões mais afastadas. Por conta disso, hoje, nós investimos muito em operações de serviços, de lazer e entretenimento, que são ambientes onde você resolve a sua vida. Não se trata de um lugar destinado apenas para você comprar produtos”, diz Teatini.
Não apenas os shopping centers, mas o mercado de fundos, de maneira geral, ficou apreensivo após debates sobre a tributação em fundos de investimentos. Para Teatini, essa não foi a primeira vez e nem será a última que essa pauta estará em debate.
O executivo acredita que mesmo que haja uma tributação ou alguma crise, os fundos de investimento em shopping centers sobreviverão.
“Cada um dos nossos shoppings tem 200 a 300 locatários, e temos 24 shoppings em nosso portfólio”, conta. A pulverização, avalia o executivo, auxilia o fundo a se manter resiliente perante uma crise de uma região ou uma cidade, ou até mesmo se uma grande loja passar por problemas financeiros.
“Em uma visão geral, isso afeta pouco, pois um não pesa tanto quando se tem essa pulverização de locatários e ativos”, complementa o executivo.
Sobre a tributação, o Teatini acredita que, em algum momento, o tema vai voltar. “Pode não ser neste ano e nem no próximo, mas talvez em 2026 se volte a se falar disso. Acho que a gente sempre terá um diferencial marcado por esses dois pilares: o pilar físico, que é a pulverização do risco, e o pilar psicológico, que é a tangibilidade do investimento”, conclui.











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