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A devolução ocorreu em meio a alegações da estatal sobre condições instáveis
apresentadas pelo galpão. Porém, a Tellus segue em disputa judicial afirmando a
regularização do ativo para cobrar os valores dos aluguéis e da rescisão
devidos pelos Correios. A estatal se firmou em um empreendimento menor na região,
o Bresco
Contagem.
“Com a posse do imóvel retomada, podemos designar esforço máximo na recolocação
do ativo, que possui especificações técnicas de alto padrão e está inserido em
uma das regiões logísticas mais relevantes do país, mercado de baixíssima
vacância e alta demanda de locação”, afirma Felipe Ribeiro,
gestor imobiliário na Rio Bravo.
Ribeiro afirma que o valor estimado da dívida é de aproximadamente R$ 328
milhões, que corresponde a 100% dos aluguéis a vencer até o final do contrato
original, previsto para 2034.
Em release divulgado pela empresa, destacou-se que a decisão dos Correios de
romper um contrato atípico, com cláusulas rígidas, e migrar para um imóvel mais
barato e flexível na mesma região, passou ao mercado a impressão de uma
tentativa de se desvincular de obrigações financeiras em meio à crise da
instituição.
“Temos total confiança no respaldo contratual e seguimos com a estratégia
jurídica para garantir o recebimento dos valores devidos, desde o pagamento dos
aluguéis inadimplidos até a multa rescisória pela rescisão antecipada do
contrato de locação. Contratos atípicos precisam ser honrados e vamos garantir
isso até as últimas medidas”, completou.
O gestor do fundo também assegurou os cotistas sobre a saúde financeira da Rio
Bravo:” O contrato com os Correios era relevante, mas o portfólio do TRBL11 é
robusto o suficiente para garantir renda com segurança. Nossa estrutura de
alavancagem foi preservada, o que em muitos casos não acontece quando se perde
um lastro desse porte”.
Próximos passos
À SiiLA,
Felipe Ribeiro também compartilhou a estratégia para a locação do imóvel:
“Agora com a retomada da posse do imóvel o fundo já está trabalhando com
parceiros comerciais para alugar o imóvel o quanto antes, com boas
expectativas, considerando que não há nenhuma restrição de uso e que o imóvel
possui especificações técnicas modernas e está localizado em região tradicional
do mercado logístico, com baixa vacância.”
Centro Logístico Contagem
Por SiiLA
Localizadoentre as rodovias Juscelino Kubistchek e Fernão Dias, e próximo do aeroporto
de Confins, o empreendimento A+ possui uma área total de 121.749 m². Com apenas
11.7 km de distância do centro da capital, estacionamento, 88 docas e um
galpão, o ativo se torna um grande ponto estratégico para distribuições
logísticas.
Histórico da disputa
A história
por trás do imóvel se inicia em outubro de 2024, quando o fundo, após uma
vistoria, informou
a interdição do Centro Logístico Contagem devido a danos estruturais que
arriscavam a integridade do ativo. À época, o TBRL11 afirmou que somente 6% da
estrutura do empreendimento foi interditada o que não impediria a utilização do
galpão. Os Correios relataram que já tinham realizado a desocupação preventiva
do imóvel devido a fortes chuvas na região, afirmando que a operação não seria
afetada.
Ao final do mesmo ano, os Correios anunciaram o processo administrativo para a rescisão
do contrato de locação de 15 anos com o fundo. Esse que teve início em 2020,
após a entrega do imóvel feito como um BTS (Build to Suit) para a estatal.
O comunicado foi divulgado um dia após o site de notícias Poder 360 revelar documentos
que apresentavam um prejuízo de R$ 1,81 bilhão dos Correios. Assim se iniciou a
disputa entra o fundo e a estatal; fontes contaram ao RESource que os Correios
estariam usando o problema no galpão como pretexto para iniciar a rescisão.
Outro agravante foi a comparação entre a constatação da Defesa Civil de Contagem
com os três laudos técnicos realizados pelo proprietário que comprovavam que o
risco de colapso não era imediato como havia sido notificado pela prefeitura. Além
disso, a companhia estaria completamente mobilizada para que os reparos no
ativo fossem concluídos.
Com as obras já concluídas, os Correios deixaram
de pagar uma parcela referente a dezembro de 2024 que teve vencimento em
janeiro de 2025, alegando que haviam solicitado a rescisão contratual meses
antes e que as reformas realizadas não eram suficientes para manter a locação. O
valor do aluguel era de R$ 2,7 milhões e a estatal representava cerca de 46% do
rendimento total do fundo naquele momento.
Em março de 2025 foi formalizada a rescisão unilateral com a entrega das chaves
prevista para 18 de agosto de 2025. Em seguida, os Correios se
mudaram para um galpão menor no empreendimento Bresco Contagem. O prejuízo
acumulado da estatal estava em R$ 2,6 bilhões.
Atualizado em 22/08
SiiLA entrou em contato com os Correios para obter um parecer, segue a resposta da estatal:
"No que se refere à rescisão contratual com o TRBL11, motivada por problemas estruturais no imóvel que abrigou o Centro de Tratamento de Cartas e Encomendas dos Correios no município de Contagem/MG, a estatal confirma a entrega das chaves do galpão, de propriedade do locador Fundo Tellus Rio Bravo. O rito de entrega das chaves é uma previsão contratual quando da ocorrência de rescisão, como é o caso."
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