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Desde o começo de novembro de 2024 as novas alterações nas regras da Caixa Econômica Federal começaram a valer. Nesse lado do ringue, o banco passou a exigir 30% do valor do imóvel para entrada em novos financiamentos, com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, o SBPE. O sistema Price, que são parcelas fixas, também teve aumento de percentual para 50%.
As mudanças impactam diretamente no sistema de amortização de crédito, além do objetivo de adequar o volume de recursos disponíveis para o banco. Do outro lado do ring, a taxa Selic, atualmente em 12,25%. A taxa controla parte da inflação e da regulação de atividades econômicas.
A rentabilidade de investimentos, o custo do crédito e as condições de financiamento no Brasil são alvos de impactos negativos com o aumento dessa taxa. No pico da pandemia a taxa Selic chegou a 2%, mas com uma explicação, questões fiscais.
Vitor Costa, Country Manager da Greystar, explica que no Brasil vivemos uma realidade diferente de outros países como o Chile, onde sua taxa básica de juros é em pouco mais de 5%. Para o especialista em projetos Multifamily, a dívida bruta do Brasil hoje em relação ao PIB é 80% e no Chile 40%, o que pode explicar a pressão do Brasil para ter níveis de juros elevados.
A expectativa dos investidores no início de 2024 era fechar o ano com taxa a 9%, gerando expectativa e atração no mercado de fundos imobiliários. A economia brasileira tem crescido em torno de 3% ao ano gerando impacto inflacionário, segundo Costa, o que explica o Banco Central ofertar juros mais altos por longo período.
“Não dá para baixar os juros em uma canetada, outros governos há mais ou menos dez anos atrás já tentaram baixar e não deu muito certo. Foi um período muito curto, porque o mercado foi soberano nesse sentido e enfatizou que não tem como pagar uma dívida a juros tão baixo, pois para eles teriam riscos maiores”.
Ainda segundo o executivo, “essa queda dos juros que esperávamos provavelmente pode vir a acontecer no fim de 2025 caso a inflação caia”.
Os obstáculos despertam irritabilidade para quem pretende financiar o primeiro imóvel. Com isso, brasileiros tendem a optar por aluguel. Um novo modelo de locação no mercado é o Multifamily. Muito adotado no Estados Unidos, no Brasil novos projetos vêm ganhando tração.
Um empreendimento multifamily consiste em um condomínio com múltiplos serviços envolvidos, como lavanderia e até espaço para coworking, diferente de casas e apartamentos que não possuem móveis ou parte desses servidos ofertados.
Considerado alvo de investimento para investidores institucionais e Fiis, o Multifamily tem como objetivo gerar renda a partir das locações das unidades residenciais. Vitor Costa, explica que este é um bom momento para esta classe de ativos, pois esse tipo de empreendimento oferece aos seus proprietários uma forma de captação de receita estável através de aluguéis, enquanto se torna uma opção mais atrativa aos consumidores que encontram preços cada vez mais altos para a compra de uma residencia, e o financiamento se torna mais inacessível para muitos consumidores.
Segundo dados da plataforma de dados e análises da SiiLA, o valor de locação do multifamily é hoje de R$177,25 m², um crescimento de R$13,46 no terceiro trimestre de 2024. No mesmo trimestre o setor ganhou +780 unidades pelo Brasil e sua taxa de ocupação subiu em +2,04%.
Em 2023 foram entregues cerca de 3.225 mil unidades, com expectativas para mais 2.276 unidades em 2025.
“O multifamily veio para ficar! Por mais que tudo esteja muito recente, o que a gente vai ver dessa classe de ativos desenvolvendo nos próximos anos é algo espetacular. As oportunidades aqui no Brasil são enormes. É uma tendência bem consolidada nos Estados Unidos e na Europa, que veio para ficar aqui também no nosso país”, comenta Costa.
Recentemente a SiiLA publicou uma matéria em que compara apartamentos compactos, muito escolhidos pelo custo-benefício e ativos multifamily.
Procurada pela equipe do REsource, a CAIXA afirmou em nota que, desde novembro, nas modalidades com recursos do SBPE, a instituição passou a financiar a aquisição de imóveis ou construção individual, com valor de avaliação ou compra e venda limitado a R$ 1,5 milhão e para clientes que não possuam outro financiamento habitacional ativo com o banco.
A alteração nas cotas de financiamento e a limitação no valor do imóvel a R$ 1,5 milhão não se aplicam às unidades habitacionais vinculadas aos empreendimentos financiados pelo banco, mantendo-se nesse caso as condições vigentes atualmente.
“A CAIXA estuda constantemente medidas que visam ampliar o atendimento da demanda excedente de financiamentos habitacionais, inclusive participando de discussões junto ao mercado e Governo, com o objetivo de buscar novas soluções que permitam expansão do crédito imobiliário no país, não somente pela CAIXA, mas também pelos demais agentes do mercado”, ressalta a empresa em nota.
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