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Com planejamentos e trabalho questionáveis, desde 2019 a empresa global de coworking, WeWork, coleciona uma série de derrotas em seu currículo. A empresa está em processo de recuperação, buscando reconquistar a confiança dos investidores e do mercado. Mesmo assim, a crise histórica e estrutural acendeu um alerta sobre o cenário atual de coworkings no Brasil.
Em conversa com analistas das áreas, é evidenciado que a WeWork passa por crise sozinha. Segundo Tiago Alves, CEO da Regus, nos últimos anos o mercado nunca de fato caiu. Mesmo pós pandemia da COVID-19, o setor se mostra crescente, principalmente com empresas voltando ao modelo 100% presencial como a Amazon ou adotando o sistema híbrido. O fato é que cada vez mais as organizações podem precisar dos coworkings.
“O mercado está crescendo. A contrariedade no momento é que temos um operador em crise, que explodiu no Brasil e agora enfrenta problemas como falta de pagamentos. Eu entendo a preocupação de muitos proprietários por conta do incidente da WeWork, mas o mercado vai bem”, enfatiza o especialista.
Alves acredita que pela empresa ser originária de Nova York nos EUA, faltou para a WeWork entender melhor sobre o mercado regulado no Brasil. Em sua análise, nem tudo o que funciona no exterior pode ser alvo certo em solo brasileiro.
“O crescimento acelerado e um tanto inconsequente em relação a metragem deles no Brasil, resultou em altos custos. E com maiores gastos, fica difícil manter o negócio, resultando em diversos problemas como no caso da WeWork, que agora está enfrentando uma ordem de despejo”, analisa o executivo.
A série de problemas da empresa começou em janeiro de 2019, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, quando veio a público o pedido de recuperação judicial. As ações automaticamente caíram e o valor da empresa ficou em menos de R$245 milhões (US$ 50 milhões).
No Brasil, não foi diferente, mostrando que a gestão dos EUA se estendeu na América Latina, o Fundo de Investimento Imobiliário (FII) Santander Renda de Aluguéis (SARE11) como já mostrado no REsource, havia divulgado em junho, que a empresa estava inadimplente no país. Agora, a WeWork coleciona dívidas e pedidos de despejos em seu armário.
Segundo o monitoramento da SiiLA, que abrange as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Curitiba e Porto Alegre, mostra que hoje, no Market Share de ocupações de empresas de Coworking nos escritórios do Brasil, a WeWork é responsável por uma fatia de 47% da área locada.
Do outro lado, Fernando Bottura, fundador da GoWork, concorda na falta de visão de mercado brasileiro por parte da WeWork. Ele diz que analisando o cenário a empresa chegou com propostas de soluções mais inteligentes e com custo adaptado, tropicalizadas, e brigaram em relação a preço com empresas que estavam muito mais otimizadas.
“Em solo brasileiro eles torraram mais de um bilhão de reais na JUCESP, por exemplo, pode ser notado o tamanho dos prejuízos mês a mês. Nesse ano, eles receberam de cinco a dez milhões de aportes para tapar o buraco. Até que em maio eles pararam de receber aporte e transformaram essa falta de dinheiro em uma estratégia para tentar sobreviver por mais tempo. Mas a gente entende que isso é um voo de galinha” analisa Bottura.
Ainda em sua a análise, a WeWork não soube negociar os custos de implantação e de contratos de maneira competente para transformar o negócio em uma operação mais lucrativa. “Sempre deram prejuízo, sempre queimaram dinheiro no Brasil. A WeWork entrou com uma liminar para não expor seus balanços no país, mas aqui, mesmo empresas de capital fechado tem de ter essa transparência” comenta o analista.
Fernando Bottura aponta que o “Back to office” vem sendo agressivo. Para ele, 2025 será um ótimo ano para o mercado independentemente da situação econômica no Brasil.
“Ano que vem promete ser um mercado fantástico para o mercado de Real Estate, tendo uma diminuição de vacância”, analisa Bottura.
Tiago Alves concorda com um cenário promissor não apenas em 2025, como também nos próximos anos, principalmente com os modelos de trabalhos híbrido e presencial tomando mais força.
“Ninguém hoje força os colaboradores a trabalharem de segunda a sexta-feira, no escritório e com horário fixo principalmente sabendo que a pessoa conquistou essa flexibilidade do home-office. A tendência para os próximos anos é a adoção do modelo híbrido ganhando cada vez mais”, finaliza o CEO da Regus.
*Em nota, a WeWork afirmou: "as negociações já resultaram em acordos com locadores em mais da metade de nossas unidades no Brasil. Seguimos comprometidos em prestar o excelente serviço que nossos membros esperam."
*Atualizado em: 15/10/2024
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