Em crise, WeWork pode impactar taxa de vacância em São Paulo; ao menos seis FIIs admitem atrasos no pagamento de aluguéis
- Fontes consultadas pelo REsource creem que empresa entre na justiça brasileira para solicitar recuperação judicial, em fato semelhante ao ocorrido com a companhia nos EUA
- Taxa de vacância em escritórios corporativos em São Paulo subiria 1,45 p.p. caso a WeWork encerre todas as suas operações na capital paulista

Conforme publicado pelo REsource no último dia 28 de junho, a WeWork, empresa que oferece espaços de coworking, enfrenta dificuldades para honrar pagamentos referentes a aluguéis de espaços que ocupa em São Paulo. Ao menos seis fundos de investimento imobiliário comunicaram ao mercado a ocorrência de inadimplências referentes às locações pelo mês de junho deste ano.
No final de maio deste ano, a WeWork recebeu a aprovação de um tribunal de falências norte-americano para o seu plano de reestruturação de dívidas (“chapter 11”). O acordo, fechado em meados de abril, eliminaria cerca de US$ 4 bilhões de dívidas pré-petição, além do corte de mais de US$ 12 bilhões em despesas futuras com aluguéis. Mercados latino-americanos onde a empresa de coworking atua não estavam envolvidos nesta operação.
Dados da plataforma Market Analytics, da SiiLA, mostram que a WeWork ocupa, atualmente, 28 empreendimentos em São Paulo. Destes, ao menos 70% (19 do total) são de classe A+ ou A (alto padrão).
Ainda segundo os dados extraídos da ferramenta, caso a WeWork venha a encerrar todas as suas operações na capital paulista, a taxa de vacância dos escritórios na cidade poderia crescer 1,45 p.p., elevando a taxa de vacância para 23,39%. Hoje, a vacância em imóveis corporativos na cidade está em 21,94%, segundo dados da SiiLA.
Rumores no mercado dão conta de que a WeWork não quitou os aluguéis de imóveis referentes a junho não só com FIIs, mas também com proprietários diretos.
Hoje, a WeWork é responsável por mais da metade do market share de empresas com atuação em coworking nos escritórios monitorados pela plataforma Market Analytics, da SiiLA.
Confira os FIIs que comunicaram falta de pagamentos da WeWork:
Santander Renda de Aluguéis (SARE11): o fundo informou, por meio de fato relevante, que a WeWork está inadimplente no empreendimento WTorre Morumbi. A empresa de coworking ocupa quatro andares da torre B. Na comunicação ao mercado, a gestora informou que, caso a inadimplência permaneça, o fundo poderá ter um impacto negativo na distribuição dos rendimentos de R$ 0,05 por cota.
Torre Norte (TRNT11): ainda em junho, o FII Torre Norte também emitiu um comunicado ao mercado informando que a WeWork não havia honrado com o aluguel referente ao mês de maio. A empresa de coworking ocupa 6.743m² no Centro Empresarial Nações Unidas — CENU, localizado na região da Berrini. Nesse caso, o impacto negativo da inadimplência pode chegar a R$ 0,15 por cota.
Vinci Offices FII (VINO11): em fato relevante divulgado na sexta-feira, 28 de junho, a Vinci Real Estate Gestora de Recursos Ltda informou que a WeWork não havia realizado o pagamento do aluguel com vencimento em junho, referente aos 3.594m² que a empresa ocupa no empreendimento OF 585, localizado na Rua Oscar Freire. Segundo a Vinci Offices, o aluguel devido no âmbito desta locação representa até 5% das receitas totais do Fundo e cerca de 4% da área bruta total por tele detida. A Vinci afirma que, em conjunto com seus advogados, está atuando para tomar as ações cabíveis em prol do Fundo e seus cotistas.
Fundo de Investimento Imobiliário Multi Renda Urbana (VVMR11): já na quarta-feira, 3 de julho, foi a vez da BRL Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., detentora do Fundo de Investimento Imobiliário Multi Renda Urbana - FIi, divulgar um fato relevante afirmando que a WeWork não pagou, até o momento, o aluguel referente à competência maio de 2024. A companhia de coworking ocupa salas no 1º, 2º, 3º, 4º e 6º andares do Edifício One Eleven, localizado na Vila Olímpia, em São Paulo. De acordo com o Fundo, a receita imobiliária relativa à competência maio será impactada negativamente em aproximadamente em R$ 0,19 por cota.
Rio Bravo Renda Corporativa (RCRB11): na segunda-feira, 1º de julho, o Fundo de Investimento Imobiliário Rio Bravo Renda Corporativa relatou, em comunicado ao mercado, que a WeWork não havia honrado pagamentos referentes ao aluguel de junho relacionado aos imóveis 555 Bloco A, 555 Bloco B e 555 Bloco C, localizados na região de Pinheiros. De acordo com o Fundo, a Locatária já foi notificada e há tratativas diretas para que o pagamento do montante de aluguel em atraso ocorra o mais rápido possível. O impacto mensal negativo na receita imobiliária do Fundo é de R$ 0,11 por cota.
Valora Renda Imobiliária Fundo de Investimento Imobiliário (VGRI11): também em comunicado de fato relevante, o Fundo informou ao mercado e seus cotistas que a WeWork estava inadimplente por conta do atraso no pagamento do aluguel de junho, referente à locação de 2.878m² no empreendimento Brazilian Finacial Center (BFC), localizado na Avenida Paulista. Segundo a Valora, o aluguel representa aproximadamente 5,8% das receitas totais e cerca de 5,9% da área bruta locável do Fundo.
"A gestão está tomando as ações cabíveis em prol do Fundo e seus cotistas", comunicou a Valora.










