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Enquanto 2024 foi marcado por um boom de expansão em diversos setores, a arquitetura corporativa está em uma jornada própria, cheia de desafios e transformações. Com os olhos voltados para o futuro e a busca por atender às novas demandas do mercado, o setor vive um momento de reinvenção, em que sustentabilidade, tecnologia e modelos híbridos de trabalho estão moldando o cenário.
Em uma conversa com Marcos Saade, Diretor Executivo da Space Plan, ele destacou que, embora a arquitetura enfrente menos dificuldades de execução do que em anos anteriores, a recuperação, que teve seu pico de adversidades durante a pandemia, deve permanecer lenta em 2025.
“A tomada de decisões pelos clientes está mais lenta do que antes da pandemia. Se antes o tempo médio para fechar um contrato era de três meses, hoje esse período pode se estender até seis meses, com alguns projetos levando até um ano para serem concluídos”, comenta o especialista.
O executivo observa que os investimentos, antes motivados principalmente pela necessidade de espaço de qualidade para as operações das empresas, agora priorizam custo e a adaptação ao modelo híbrido de trabalho. Ele cita, como exemplo, o fenômeno das devoluções de espaços corporativos, em que empresas com grandes áreas têm optado por ocupar locais menores, com estações de trabalho rotativas, menos salas de reunião e mais espaços compartilhados.
“A maior demanda nos últimos anos tem sido a capacidade das empresas de se adequarem ao modelo híbrido de trabalho, o que exige planejamento racional e estratégico por parte do setor de arquitetura.”, reflete Saade.
Outro ponto destacado por Saade é a crescente adoção de práticas sustentáveis e tecnologias inovadoras. Os chamados "prédios inteligentes", que integram soluções tecnológicas, têm ganhado espaço por oferecer segurança, agilidade e sustentabilidade de forma mais visível.
O uso de biometria e reconhecimento facial, por exemplo, ajuda a reduzir custos operacionais e ainda promove eficiência energética. Outra tendência são os espaços de ‘delivery’, que facilitam o recebimento de encomendas sem interação humana direta, reduzindo o consumo de recursos e melhorando a experiência do usuário”, acrescenta Saade.
Para Wesley Santos, Sócio proprietário da Noho Engenharia, os espaços físicos deixaram de ser apenas áreas com mesas, cadeiras e materiais de trabalho. O mercado, comenta o executivo, está evoluindo para incluir espaços colaborativos, que promovem troca de ideias e que oferecem mais comodidade aos funcionários.
“Um dos sinais claros dessa mudança é a incorporação de serviços como cafeterias, mercados e áreas para eventos. Esses elementos são fundamentais para atrair e reter talentos, além de agregar valor ao ambiente corporativo”, explica Santos.
Ele também aponta que os prédios entregues nos últimos dois anos já refletem essa nova realidade, com projetos que priorizam o bem-estar e a praticidade dos usuários. Além disso, prédios mais antigos estão sendo modernizados por meio de retrofits, como no caso do icônico edifício “A Noite”. O prédio passará por reformas que incluem uma réplica de uma “calçada da fama”, espaços para eventos, unidades multifamily e escritórios.
Apesar das mudanças positivas, os custos dos projetos continuam sendo um grande desafio para o crescimento do setor de arquitetura. “A construção e adaptação de novos espaços envolvem investimentos significativos. Com o aumento constante dos custos de obra, o cenário econômico se torna desafiador para as empresas”, comenta Santos.
Ambos os executivos apontam que os preços dos materiais podem subir rapidamente, influenciados por fatores econômicos e políticos. Além disso, a desvalorização da moeda impacta diretamente o setor, tornando o prazo de decisões mais longo.
“A desvalorização da moeda também é um forte impacto para o setor. Decisões que antes levavam três meses, por exemplo, agora podem levar o dobro de tempo, pois a economia e os juros altos não podem ser deixados de lado na hora da conta” finaliza Saade.
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