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Dados do SINAPI, Sistema Nacional de Preços e Índices para a Construção Civil, calculado pelo IBGE, mostram que o custo de construção no Brasil, hoje, é de R$ 1.786,82/m², podendo variar de região para região.
No entanto, fatores externos e oscilações no mercado têm provocado um impacto ainda maior nos custos para desenvolver um condomínio logístico. Em entrevista ao REsource, Eduardo Barbosa, diretor de engenharia da Cy Capital e especialista em condomínios logísticos, detalhou como o aumento dos preços de concreto, asfalto, aço e equipamentos importados tem desafiado o setor.
De acordo com Barbosa, o concreto, um dos principais insumos para a construção de ativos logísticos, teve uma grande alta nos últimos anos.
“O preço do concreto mais que dobrou. Hoje, estamos pagando acima de R$ 500 por metro cúbico, enquanto há três anos, esse valor era de R$ 220 a R$ 230. Isso tem um impacto direto, já que o concreto é essencial na construção de galpões logísticos”, explica.
Outro elemento crítico, o asfalto, também encareceu devido à alta do petróleo, influenciada por fatores globais como o aumento do dólar e os conflitos no Oriente Médio. “O preço do petróleo impacta diretamente o custo do asfalto. Em alguns projetos, estamos optando por substituí-lo pelo concreto, que pode ser mais viável dependendo da obra”, destaca o engenheiro.
Barbosa conta que a alta do dólar também afeta outros itens, já que muitos insumos da construção são importados. Os bicos dos sprinklers, por exemplo, são itens indispensáveis e insubstituíveis que podem ser apenas importados dos EUA.
“O dólar afeta diretamente itens importados, como os bicos de sprinkler, que são essenciais para galpões logísticos. Esses bicos são produzidos no Texas, nos Estados Unidos, e não têm substituto nacional. O aumento do dólar reflete diretamente no custo das instalações”, explica.
Outro obstáculo citado por Barbosa é o aço. Esse elemento essencial para as obras é produzido no Brasil, mas sua produção ainda é concentrada em uma única empresa, a Usiminas. “Quando todos os três fornos da Usiminas estão operando, conseguimos manter os custos mais controlados. Mas se algum forno é desligado, o mercado já entra em alerta, e os preços sobem”, conta ao REsource.
Além do custo dos materiais, a escassez de mão de obra qualificada tem sido outro desafio enfrentado pelo setor.
“Recentemente, em Extrema (MG), tivemos dificuldades em contratar operadores de máquinas para reparar um talude danificado pela chuva. Apesar de termos o equipamento disponível, não conseguimos encontrar profissionais qualificados, o que atrasou o projeto”, relata o diretor.
Apesar das adversidades, Barbosa acredita que o setor permanecerá aquecido em 2025, sustentado pelo impulso positivo de 2024. Contudo, ele alerta para possíveis desafios econômicos nos anos seguintes.
“O ciclo do mercado logístico é mais curto que o de outros ativos, e isso permite uma resposta mais rápida em momentos de crise. Em um cenário de retração, a primeira ação costuma ser interromper a compra de terrenos. Atualmente, porém, ainda estamos ativos, prospectando terrenos e realizando estudos de viabilidade.”
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