De volta para o jogo: Americanas encerra recuperação judicial após desocupar 350 mil m² em galpões
- Varejista desocupou 350 mil m² em condomínios logísticos desde 2023, segundo a SiiLA, e prevê receber R$ 130 milhões com a venda de imóveis

O juiz da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, Arthur Eduardo Magalhães Ferreira, decretou o fim da recuperação judicial da Americanas, após quase quatro anos de crise. As medidas foram tomadas após um grande escândalo bilionário que foi revelado em 2023.
“O encerramento da recuperação judicial representa um marco importante na trajetória da Companhia e inaugura uma nova etapa de seus negócios. A Companhia agradece especialmente a seus associados, cuja dedicação foi fundamental ao longo desse período desafiador, bem como a seus fornecedores, clientes e demais parceiros pela confiança e pelo apoio. Com a conclusão dessa etapa, a Companhia segue comprometida com o crescimento de suas operações, o fortalecimento sustentável do seu modelo de negócio e o desenvolvimento da experiência de seus clientes”, divulgou a empresa.
A varejista pediu o encerramento da recuperação judicial em março de 2026. O juiz reconheceu que a companhia cumpriu as obrigações previstas para os dois primeiros anos após a aprovação do plano pela Justiça, em fevereiro de 2024. A administração judicial e o Ministério Público deram pareceres favoráveis ao pedido.
Os pagamentos que ainda estão previstos no plano continuam devidos, e os credores podem recorrer à Justiça caso os acordos sejam descumpridos. As disputas sobre os valores a receber também seguem em andamento. A decisão de encerramento ainda pode ser alvo de recurso.
Durante a recuperação judicial, a Americanas também passou por uma troca de comando. Em outubro de 2025, Fernando Soares, então vice-presidente de operações, assumiu a presidência no lugar de Leonardo Coelho, que comandava a empresa desde fevereiro de 2023 e passou a integrar o Comitê Financeiro.
Segundo a companhia, a mudança fez parte do plano de reestruturação, com foco no crescimento das operações e na melhoria da produtividade e da rentabilidade.
Impacto no mercado imobiliário
Dados do Market Analytics da SiiLA mostram que a Americanas deixou de ocupar 350 mil m² em condomínios logísticos desde janeiro de 2023. No terceiro trimestre de 2026, a companhia ocupava 332 mil m², mas, no quarto trimestre de 2024, chegou a ocupar 664 mil m².
No período pré-crise, a companhia era responsável por ocupar 3,15% de toda a área ocupada em condomínios logísticos monitorados pela SiiLA no Brasil, sendo a segunda maior inquilina desse mercado. No terceiro trimestre de 2026, a Americanas era responsável por 1,12% e ficava em 6º lugar no ranking.
A redução da presença logística da Americanas não resultou, na maior parte dos casos, em áreas vazias por longos períodos. Um cruzamento entre as saídas da varejista e as novas absorções registradas pela SiiLA mostra que 333,6 mil m² dos 350,9 mil m² devolvidos já tiveram alguma reocupação identificada, o equivalente a cerca de 95% da área.
Entre os principais exemplos estão o HGLG Betim, onde 62,6 mil m² passaram a ser ocupados pela Shopee, o Cajamar Centro Logístico, com 53,8 mil m² absorvidos pela Gurgelmix Máquinas, e o Armazenna 4 Centro Logístico, onde Mercado Livre e Imediato Nexway ocuparam a área deixada pela Americanas.
Outros imóveis também tiveram substituição rápida de inquilinos. No RBR Hortolândia II, a Bravo Serviços Logísticos ocupou os 26,7 mil m² devolvidos, enquanto no Bresco Contagem os Correios assumiram 15,3 mil m². Em alguns casos, a nova ocupação ocorreu no mesmo trimestre da saída da Americanas.
A principal exceção identificada foi o XPLog Seropédica. Dos 30,3 mil m² desocupados pela varejista, apenas parte da área aparece novamente absorvida na base analisada, porém a empresa ainda está em parte do imóvel.
O levantamento indica que, apesar da forte redução da operação da Americanas, boa parte dos espaços devolvidos foi rapidamente absorvida por outros ocupantes do mercado logístico.
Venda de imóveis para reforçar o caixa
A reestruturação da Americanas também inclui a venda de imóveis próprios. Em 14 de outubro, a companhia anunciou que a Justiça aprovou propostas de compra de propriedades em Laranjeiras, na Tijuca e na Freguesia do Engenho Velho, no Rio de Janeiro. As propostas foram apresentadas pela Supermundi Empreendimentos e Participações e pelo fundo imobiliário Antilhas.
Segundo a varejista, as operações devem gerar R$ 130 milhões quando forem concluídas. Os recursos serão usados para reforçar o caixa e financiar seu plano de transformação.
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