JiveMauá compra portfólio de residenciais para renda da Luggo por R$ 166 milhões; MRV fica sem novos projetos
- Companhia vende 437 unidades residenciais e mantém apenas a operação dos ativos; juros altos pesam sobre novos projetos do segmento

A MRV&CO realizou, na última semana, a venda das 437 unidades da Luggo por R$ 166 milhões. Ao todo, a operação envolve três empreendimentos, localizados no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e em Brasília. A compradora é a JiveMauá, que está estruturando um fundo de investimento dedicado a essa tipologia de ativos, o Mauá Capital Luggo Fundo de Investimento Imobiliário.
Segundo análise da equipe de inteligência da SiiLA, a operação implica um cap rate de 8,9%.
Os empreendimentos se enquadram no segmento de residencial para renda, conhecido também como built-to-rent ou multifamily. Agora, a empresa de Rafael Menin afirma que não possui mais empreendimentos desse segmento prontos ou em construção. Segundo a companhia, esse movimento reflete o atual cenário de juros e faz parte de uma estratégia de simplificação operacional, desalavancagem e geração de caixa. A Luggo, porém, seguirá responsável pela administração e operação dos ativos.
“A Luggo seguirá com sua operação de administração de ativos, sem outros empreendimentos prontos ou em construção no momento, dado o contexto de juros atual”, informou a companhia em comunicado.
A MRV&CO informou que não conseguiria participar da pauta. A JiveMauá, por sua vez, afirmou que os detalhes da operação estão concentrados na MRV.
Desmobilização no residencial para renda
Essa não é a primeira venda desse tipo realizada pela MRV&CO. No mesmo comunicado, a companhia informou que, em julho deste ano, concluiu a venda dos empreendimentos Ten Oaks e Rayzor Ranch, ambos nos Estados Unidos e também enquadrados no modelo de residencial para renda.
Na ocasião, a empresa apresentou uma justificativa semelhante à da operação atual. “As mudanças têm como foco simplificar a operação, liberar capital e fortalecer a geração de caixa”, informou.
Segundo dados do Market Analytics, da SiiLA, outros empreendimentos também deixaram de se enquadrar como multifamily após mudanças em sua estrutura de propriedade. É o caso de ativos da marca ON, que faziam parte de uma joint venture entre a Vitacon e a 7 Bridges. Após o encerramento da parceria, os empreendimentos passaram a ser negociados individualmente.
Apesar desses movimentos, o mercado brasileiro de multifamily segue em expansão. Dados da SiiLA mostram que mais de 2,3 mil unidades habitacionais ainda devem ser entregues no Brasil ao longo de 2026. Além disso, embora a taxa de ocupação dos empreendimentos venha recuando, o segmento ainda não registrou absorção líquida negativa desde que começou a ganhar escala no país.
Fique por dentro das notícias do mercado imobiliário em nosso grupo do WhatsApp. Acesse: https://bit.ly/REsourceWpp









