Vitória de Lula mantém mercado atento aos juros e às contas públicas
- Reeleição mantém atenção sobre as contas públicas e a queda dos juros. Para o mercado, impacto deve aparecer principalmente no custo dos investimentos

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva mantém as contas públicas e a trajetória dos juros entre os principais pontos de atenção do mercado financeiro. Antes do segundo turno, parte dos investidores trabalhavam com a expectativa de juros futuros mais altos em caso de vitória do petista, principalmente por dúvidas sobre o ritmo de controle dos gastos públicos.
Nos últimos meses, o Banco Central já iniciou um ciclo de cortes da Selic, e a continuidade desse movimento dependerá de fatores como inflação, atividade econômica e decisões do próprio BC.
A atenção do mercado agora deve se voltar para as primeiras medidas do novo mandato de Lula, principalmente em relação aos gastos públicos, à dívida e à equipe econômica.
Por exemplo, a Fitch Ratings espera algum ajuste nas contas públicas em 2027 independentemente do resultado da eleição. A agência também avalia que um controle maior dos gastos poderia ajudar os juros a cair mais rapidamente.
Impacto no real estate
No mercado de escritórios, os efeitos de uma eleição não aparecem de um dia para o outro. Uma análise exclusiva da SiiLA mostra que mudanças na Selic levam cerca de cinco trimestres para chegar com mais força às decisões das empresas sobre mudança ou expansão de escritórios.
O impacto pode aparecer antes no mercado de compra e venda de imóveis. Em períodos de juros altos, investidores tendem a exigir retornos maiores para comprar um prédio. Quando os juros caem, o investimento imobiliário pode voltar a se tornar mais competitivo e os valores dos ativos podem subir. Em 2026, o cap rate médio das vendas de escritórios em regiões CBD estava em 8,60%, enquanto a NTN-B 2045, título público federal de renda fixa emitido, cujo rendimento é atrelado à inflação oficial do país, estava em 7,34%.
Ao mesmo tempo, o mercado de escritórios chega a 2027 com fatores positivos que não dependem diretamente da eleição. A vacância nas principais regiões corporativas de São Paulo caiu de 20,7% no fim de 2023 para 15,1% no terceiro trimestre.
Também há pouca oferta nova prevista. O estoque esperado para 2027 e 2028 soma cerca de 117 mil m² por ano, menos da metade da absorção líquida média registrada em 2024 e 2025.
“Para o real estate, o principal ponto depois da eleição será o comportamento dos juros. Se o custo de capital continuar elevado por mais tempo, alguns investimentos e novos projetos podem demorar mais para sair do papel. Ao mesmo tempo, o mercado de escritórios chega a 2027 com uma situação bastante diferente de outros ciclos: a vacância caiu, há pouca oferta nova prevista e a demanda continua absorvendo espaços. Esses fundamentos não mudam com o resultado de uma eleição”, Giancarlo Nicastro, CEO da SiiLA.
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