“A Globo nunca teve esse peso para mim”: Mara Luquet conta por que decidiu criar o MyNews
- No NXT Podcast, jornalista relembra a criação do MyNews, inspirada no Porta dos Fundos, e comenta sobre gestão, propósito e combate à desinformação

Deixar a TV Globo para criar um canal independente de jornalismo foi o maior risco profissional que a jornalista Mara Luquet já assumiu. A decisão encontrou resistência até dentro de casa, mas, para ela, a transformação digital apontava o caminho. Em entrevista ao NXT Podcast, apresentado por Giancarlo Nicastro, ela relembrou a origem do MyNews e os desafios de passar de comentarista a empreendedora.
“Eu saí porque eu queria fazer um canal independente de jornalismo e a tecnologia permitia isso”, afirmou. A inspiração veio de um projeto de outra área: o Porta dos Fundos. Mara queria explorar no jornalismo as possibilidades que o grupo havia encontrado para produzir humor na internet, sem depender de uma concessão ou de uma grande estrutura.
Segundo ela, a participação de Tabet no início do negócio ajudou a abandonar a lógica de uma grade de televisão. A orientação era experimentar poucos programas, manter os que funcionassem e mudar o restante.
Ao ser questionada se chegou a se arrepender da saída diante das dificuldades de empreender, Mara relativizou o peso da emissora em sua trajetória. “A Globo para mim nunca teve o tamanho da Globo”, confessou. Com uma carreira construída no jornalismo impresso, ela explicou que a televisão não ocupava esse lugar em sua vida.
A fala veio acompanhada de elogios à empresa, à estrutura e aos profissionais com quem trabalhou. “A Globo foi muito legal comigo”, destacou. “Não é líder de audiência por acaso.”
O aprendizado de gerir pessoas
Mara disse que o empreendedorismo lhe tirou “uma certa ingenuidade” sobre o trabalho. Uma das descobertas foi perceber que oferecer bons salários não bastava para formar uma equipe: era preciso reconhecer talentos e encontrar as pessoas adequadas para cada função.
A experiência também trouxe uma revisão de comportamento. “Eu me arrependo de ter sido tão brava”, disse, ao reconhecer que entrou em conflitos desnecessários.
Apesar das dificuldades, Mara atribui à crença no poder transformador da informação a motivação para continuar. “É o propósito que nos move, não é o dinheiro.”
Na conversa, a comunicadora defendeu a educação midiática e punição às fake news, distinguindo essas medidas de censura e reafirmando a importância da liberdade de opinião.
Assista o episódio completo aqui:
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