O preço do “condado”: escritório de mil m² pode custar R$ 1,4 milhão a mais por ano na Faria Lima que na Rebouças
Simulação da SiiLA compara aluguel, condomínio e IPTU de escritórios A+, A e B e mostra como a localização pesa no orçamento das empresas

A escolha da região pode representar uma diferença de milhões de reais no orçamento anual de um escritório em São Paulo. Em uma simulação com mil metros quadrados, o custo de ocupação na Faria Lima supera o da Rebouças em aproximadamente R$ 1,42 milhão por ano, considerando valor de mercado de locação, condomínio e IPTU.
Segundo dados do Market Analytics, da SiiLA, no recorte de escritórios de classes A+, A e B do terceiro trimestre, o custo mensal por metro quadrado no “condado” da Faria Lima é de R$ 309,85, ante R$ 190,71 na Rebouças. Para um escritório de mil metros quadrados, isso corresponde a R$ 309,8 mil e R$ 190,7 mil por mês, respectivamente, tornando a ocupação na Faria Lima 62,5% mais cara.
Em doze meses, mantidos os valores de referência, são R$ 1,4 milhão a mais para ocupar a mesma metragem na Faria Lima. No sentido inverso, a escolha pela Rebouças representa uma economia de 38,5% no orçamento.
Embora o aluguel seja a parcela mais evidente na busca por um imóvel, os encargos também precisam entrar no planejamento. Na Faria Lima, condomínio e IPTU somam R$ 52,40 por metro quadrado além do valor de locação. Na Rebouças, são R$ 36,08. Para uma área de mil metros quadrados, só essas despesas representam, respectivamente, R$ 52,4 mil e R$ 36 mil mensais.
A comparação,
porém, exige atenção às características de cada imóvel. O enquadramento nas
mesmas classes não torna os edifícios equivalentes em localização, configuração
da laje, serviços ou disponibilidade.
O mercado de escritórios, vale ressaltar, tem avaliado a Rebouças como uma nova
região premium na cidade. Por lá, há ativos tão modernos quanto na Faria Lima,
com inquilinos importantes como Amazon, Netflix e Stone.
Ainda de acordo com o Market Analytics, a vacância atual na Faria Lima é de 9,17%, enquanto na Rebouças é de 3,99%, sempre considerando imóveis de classes A+, A e B (veja gráfico).
O custo de posicionar ao mercado
Para a diretora de novos negócios da Pilar Capital, Tatiana Milan, embora estejam próximas, as duas regiões têm propostas de valor distintas. Segundo a executiva, a Faria Lima é o endereço do mercado financeiro, o que gera um efeito de rede, já que bancos, gestoras e empresas que dependem dessa caseia buscam estar perto uns dos outros, pois a proximidade facilita negócios, relacionamento e a atração de talentos.
"Cada novo ocupante torna o endereço mais valioso para os demais, e quem precisa desse ecossistema aceita pagar mais. O peso da marca 'Faria Lima' tornou-se uma grife que comunica posicionamento a clientes e investidores. Com oferta de qualidade limitada, o preço por lá se sustenta", explica.
Outro fator que explica a disparidade de preços entre a Faria Lima e as demais regiões é o movimento de "flight to quality", uma tendência observada no mercado de escritórios em todo o mundo.
"A Faria Lima preserva seu diferencial enquanto conseguir entregar benefícios que justifiquem o prêmio cobrado, e um deles é o flight to quality. em que as empresas migram para os edifícios de maior qualidade e melhor localização, concentrando a demanda e a valorização nesses ativos", complementa.










