Real Estate vê Alckmin favorito para o Ministério da Fazenda e cobra sinalização de ajustes para conter pessimismo
Executivos ouvidos pelo REsource defendem formação de equipe técnica e respaldo político para conter despesas e recuperar confiança

Por: SiiLA News
Geraldo Alckmin é o nome preferido entre os executivos do Real Estate ouvidos pelo REsource para assumir o Ministério da Fazenda no quarto mandato de Lula. A receptividade ao vice-presidente, porém, vem acompanhada de uma cobrança: o governo reeleito precisa demonstrar disposição para conter o crescimento das despesas e dar sustentação política a um ajuste fiscal capaz de reduzir a desconfiança dos investidores.
Nas avaliações dos entrevistados, a escolha de um ministro com trânsito no empresariado pode ajudar a recompor o diálogo. A recuperação da confiança dependerá também da autonomia do novo ministro para formar uma equipe técnica e negociar medidas no Congresso.
A discussão ganhou urgência após o mercado atravessar um intenso desmonte de posições e uma corrida generalizada para realocação de recursos, o que acarretou num derretimento da bolsa, disparada do câmbio, fuga de capital estrangeiro e explosão dos juros futuros.
A alta dos juros de longo prazo encarece o financiamento imobiliário e a captação de recursos pelas empresas, além de diminuir o valor atual de projetos que levam anos para gerar retorno, do lançamento à entrega.
Nas avaliações dos entrevistados, a escolha de um ministro com trânsito no empresariado pode ajudar a recompor o diálogo. A recuperação da confiança dependerá também da autonomia do novo ministro para formar uma equipe técnica e negociar medidas no Congresso.
A discussão ganhou urgência após o mercado atravessar um intenso desmonte de posições e uma corrida generalizada para realocação de recursos, o que acarretou num derretimento da bolsa, disparada do câmbio, fuga de capital estrangeiro e explosão dos juros futuros.
A alta dos juros de longo prazo encarece o financiamento imobiliário e a captação de recursos pelas empresas, além de diminuir o valor atual de projetos que levam anos para gerar retorno, do lançamento à entrega.
Alckmin é o nome em potencial
Para o head de investimentos de uma importante gestora de ativos na área de logística, ouvido sob condição de anonimato, Alckmin seria a escolha mais adequada. “Perfil mais tendendo ao centro, atuação moderada e que acalmaria um pouco o mercado financeiro e investidores”, afirma.
Jonata Tribioli, especialista em operações imobiliárias da IBR Capital, também identifica boa receptividade ao vice-presidente. Ele associa essa percepção à experiência de Alckmin no governo paulista, ao perfil moderado e à relação construída com o setor produtivo.
“Vejo Alckmin com maior reconhecimento entre os empresários do setor imobiliário, mas Rafael Fonteles também tem atributos que despertam o interesse do mercado, principalmente neste momento de preocupação com a política fiscal”, diz.
Tribioli cita a passagem de Fonteles pela Secretaria da Fazenda do Piauí e sua atuação no Comsefaz como credenciais que ajudam a explicar o interesse pelo governador.
A preferência dos entrevistados por Alckmin não representa uma definição do Planalto: as sinalizações do governo apontam que estão entre os principais cotados, sem descartar a permanência de Dario Durigan no cargo.
Jonata Tribioli, especialista em operações imobiliárias da IBR Capital, também identifica boa receptividade ao vice-presidente. Ele associa essa percepção à experiência de Alckmin no governo paulista, ao perfil moderado e à relação construída com o setor produtivo.
“Vejo Alckmin com maior reconhecimento entre os empresários do setor imobiliário, mas Rafael Fonteles também tem atributos que despertam o interesse do mercado, principalmente neste momento de preocupação com a política fiscal”, diz.
Tribioli cita a passagem de Fonteles pela Secretaria da Fazenda do Piauí e sua atuação no Comsefaz como credenciais que ajudam a explicar o interesse pelo governador.
A preferência dos entrevistados por Alckmin não representa uma definição do Planalto: as sinalizações do governo apontam que estão entre os principais cotados, sem descartar a permanência de Dario Durigan no cargo.
Indicação tem de acompanhar ajustes
Um alto executivo de uma gestora de ativos imobiliários, que foi ouvido em off, considera que a identidade do próximo ministro tem peso menor do que as condições políticas para executar o ajuste. Em sua avaliação, a necessidade de negociar apoio parlamentar pode pressionar ainda mais as contas públicas.
“Geraldo Alckmin é, das opções, talvez o principal nome que poderia apoiar nesta sinalização de um ajuste fiscal. Mas, mesmo com ele, seria necessária uma mudança bastante grande em relação ao rumo do arcabouço fiscal visto nos quatro anos do governo Lula”, afirma.
A ressalva coloca uma exigência direta sobre o presidente reeleito. Na leitura do executivo, a credibilidade que Alckmin poderia emprestar à Fazenda dependeria de uma mudança na condução das contas públicas e das condições oferecidas pelo governo para implementá-la.
Um gerente executivo de fundos imobiliários, também ouvido sob condição de anonimato, considera que a habilidade política do titular da Fazenda pode ser mais importante do que sua formação técnica, desde que ele tenha liberdade para montar uma equipe especializada.
“Por vezes, a habilidade política será mais importante que a chancela técnica”, afirma. O executivo cita a formação da equipe econômica de Fernando Henrique Cardoso quando assumiu a Fazenda, em 1993, como exemplo de combinação entre liderança política e conhecimento técnico.
Sua avaliação sobre Alckmin é favorável, mas condicionada à composição do ministério. Ele critica a falta de espaço dado à capacidade técnica na condução econômica dos últimos quatro anos e defende que o próximo titular tenha um núcleo qualificado para formular medidas e sustentá-las nas negociações políticas.
“Geraldo Alckmin é, das opções, talvez o principal nome que poderia apoiar nesta sinalização de um ajuste fiscal. Mas, mesmo com ele, seria necessária uma mudança bastante grande em relação ao rumo do arcabouço fiscal visto nos quatro anos do governo Lula”, afirma.
A ressalva coloca uma exigência direta sobre o presidente reeleito. Na leitura do executivo, a credibilidade que Alckmin poderia emprestar à Fazenda dependeria de uma mudança na condução das contas públicas e das condições oferecidas pelo governo para implementá-la.
Um gerente executivo de fundos imobiliários, também ouvido sob condição de anonimato, considera que a habilidade política do titular da Fazenda pode ser mais importante do que sua formação técnica, desde que ele tenha liberdade para montar uma equipe especializada.
“Por vezes, a habilidade política será mais importante que a chancela técnica”, afirma. O executivo cita a formação da equipe econômica de Fernando Henrique Cardoso quando assumiu a Fazenda, em 1993, como exemplo de combinação entre liderança política e conhecimento técnico.
Sua avaliação sobre Alckmin é favorável, mas condicionada à composição do ministério. Ele critica a falta de espaço dado à capacidade técnica na condução econômica dos últimos quatro anos e defende que o próximo titular tenha um núcleo qualificado para formular medidas e sustentá-las nas negociações políticas.
Custo da incerteza chega ao investimento imobiliário
O canal de transmissão para o Real Estate passa pelos juros e pelo custo de capital. Tribioli, da IBR Capital, lembra que taxas mais altas encarecem o financiamento de obras, comprimem margens e podem adiar lançamentos. No mercado corporativo, alteram a avaliação dos imóveis e o retorno exigido pelos investidores.
“Para quem compra um imóvel, o impacto aparece no valor das parcelas e na capacidade de financiamento. No segmento corporativo, também pesa na avaliação dos ativos e no retorno exigido pelos investidores”, relata o especialista.
O histórico ajuda a dimensionar essa sensibilidade. Um levantamento do BTG mostra que o Índice Imobiliário da B3 caiu 13,11% no primeiro mês após a eleição de 2022 e só apresentou retorno acumulado positivo na janela de 12 meses. A comparação ilustra o risco de uma recuperação demorada, mas não determina o comportamento do setor no novo mandato.
Também é preciso distinguir a reação da Bolsa da operação dos imóveis. Giancarlo Nicastro, CEO e fundador da SiiLA, observa que contratos de locação não mudam imediatamente com o resultado eleitoral. Juros futuros mais altos, entretanto, podem reduzir o preço que investidores aceitam pagar por uma mesma renda imobiliária.
“Para quem compra um imóvel, o impacto aparece no valor das parcelas e na capacidade de financiamento. No segmento corporativo, também pesa na avaliação dos ativos e no retorno exigido pelos investidores”, relata o especialista.
O histórico ajuda a dimensionar essa sensibilidade. Um levantamento do BTG mostra que o Índice Imobiliário da B3 caiu 13,11% no primeiro mês após a eleição de 2022 e só apresentou retorno acumulado positivo na janela de 12 meses. A comparação ilustra o risco de uma recuperação demorada, mas não determina o comportamento do setor no novo mandato.
Também é preciso distinguir a reação da Bolsa da operação dos imóveis. Giancarlo Nicastro, CEO e fundador da SiiLA, observa que contratos de locação não mudam imediatamente com o resultado eleitoral. Juros futuros mais altos, entretanto, podem reduzir o preço que investidores aceitam pagar por uma mesma renda imobiliária.









