Fundo pede despejo da Casas Bahia de dois galpões logísticos após atraso de R$ 4,3 milhões
Imóveis ficam em Contagem (MG) e São José dos Pinhais (PR); Varejista já devolveu áreas logísticas e reduziu sua rede de lojas recentemente

O fundo imobiliário HSI Logística (HSLG11) ajuizou uma ação de despejo por falta de pagamento contra a Casas Bahia, locatária de dois de seus empreendimentos logísticos, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Segundo fato relevante divulgado em 9 de outubro, a varejista não havia pago R$ 4,3 milhões referentes ao aluguel de setembro.
De acordo com dados do Market Analytics, da SiiLA, juntos, os dois galpões mencionados pelo fundo somam 166,2 mil metros quadrados, sendo 92 mil m² em Contagem, e outros 74,2 mil m² em São José dos Pinhais. O número representa 14,8% dos 1,1 milhão de metros quadrados ocupados pelo Grupo Casas Bahia em galpões isolados e condomínios logísticos de classes A+, A, B e C no Brasil.
Em relação à locação dos empreendimentos do HSLG11, a obrigação venceu em 7 de outubro, e a ação foi apresentada no dia seguinte. No comunicado, a Apex Group, administradora do fundo, e a HSI, gestora, informaram que poderão adotar outras medidas judiciais e extrajudiciais. O documento não anuncia decisão de despejo nem a saída da companhia dos imóveis, que ficam localizados na região conhecida como "last mile".
A gestão classifica o valor como crédito extraconcursal, por se referir a uma obrigação posterior ao pedido de recuperação judicial da locatária. Esse é o fundamento apresentado pelo fundo para o tratamento da cobrança. O valor cobrado pela locação dos imóveis era de R$ 18,20/m² em São José dos Pinhais e de R$ 30/m², em Contagem.
O episódio amplia a pressão sobre as relações imobiliárias da Casas Bahia em meio à reorganização de suas operações. Em agosto, a companhia apresentou pedido de recuperação judicial envolvendo aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas, após enfrentar dificuldades de liquidez e restrições de crédito.
A redução da ocupação logística, entretanto, já havia começado antes. Em agosto deste ano, uma matéria do REsource revelou que o grupo já havia devolvido aproximadamente 32 mil m² em Itajaí (SC) e Fortaleza (CE) em 2025. No mesmo período, ocupou cerca de 17,9 mil m² em Pernambuco, resultando em redução líquida próxima de 14 mil m² no recorte monitorado.
O histórico mostra uma reorganização geográfica da operação, com devoluções e novas ocupações simultâneas. Em março de 2024, o jornal Folha de S. Paulo havia noticiado o encerramento de quatro centros de distribuição no processo de reestruturação da companhia.
Restruturação
Na rede de lojas, o ajuste ganhou escala em agosto de 2026, com o fechamento de 298 unidades. O movimento acompanhou a divulgação de prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre, dos quais R$ 9,1 bilhões foram atribuídos a efeitos contábeis não recorrentes, sem impacto imediato no caixa.
O processo judicial ainda exigia definições nas informações divulgadas no início de outubro. A varejista já havia obtido, em agosto, a antecipação de efeitos da recuperação, com proteção contra credores por 180 dias.
A constatação prévia acrescentou sinais de retração operacional, quando uma perícia identificou estoques reduzidos e áreas ociosas em alguns centros de distribuição. A companhia atribuiu essa situação às dificuldades financeiras para recompor os estoques.
Em esclarecimentos ao mercado, a Casas Bahia ressaltou que o laudo tinha natureza preliminar e informativa e que suas conclusões não representavam a posição da empresa. Também informou que o documento ainda não havia sido submetido ao contraditório da companhia nem apreciado pelo juízo.
A capacidade de sustentar o abastecimento permanece entre os desafios da reorganização. Em análise divulgada em agosto, a XP apontou o risco de fornecedores restringirem condições comerciais, pressionando a disponibilidade de produtos antes do quarto trimestre.
Impacto no Real Estate
Para o mercado imobiliário, a perspectiva depende também da capacidade de absorção dos espaços. Em recente entrevista à Forbes, Giancarlo Nicastro, CEO da SiiLA, avaliou que a demanda por galpões favorecia a recolocação desses ativos, enquanto o impacto poderia ser mais difícil de absorver nas lojas de rua.
No caso dos dois empreendimentos do HSLG11, o fato novo é a judicialização do aluguel de setembro. Uma eventual devolução e seus efeitos sobre a vacância dependerão dos próximos desdobramentos da ação e das negociações entre a varejista e o fundo.
Procurada pela reportagem do REsource, a Casas Bahia não retornou até o momento desta publicação. O espaço permanece aberto para o posicionamento da empresa.










