Após vender Cidade Jardim, fundo da Valora recebe oferta de R$ 550 milhões por quatro ativos corporativos
Pacote inclui participações em empreendimentos ocupados por Itaú, Banco Pan e Volkswagen; proposta prevê 89% do pagamento no fechamento e segue em análise

O Valora Renda Imobiliária (VGRI11) recebeu uma proposta vinculante de R$ 550 milhões pela totalidade de suas participações em quatro imóveis localizados em São Paulo.
O pacote reúne o Brazilian Financial Center, na Avenida Paulista, o Edifício Volkswagen, o Edifício Burity e o Centro Empresarial Transatlântico, somando 38.554 m² de área bruta locável (ABL), considerando a totalidade das fatias que o fundo possui em cada empreendimento.
Divulgada em fato relevante nesta quarta-feira (28), a oferta chega após o FII vender, em janeiro, sua participação no Edifício Cidade Jardim por R$ 345 milhões. Naquela operação, a gestão informou que os recursos seriam usados prioritariamente para amortizar obrigações financeiras e reduzir o endividamento.
A proposta prevê a aquisição das participações como um portfólio único, com pagamento em dinheiro. Do total, R$ 489,5 milhões seriam desembolsados no fechamento e R$ 60,5 milhões no 12º mês após a conclusão, com atualização pelo IPCA.
O valor corresponde a aproximadamente R$ 14,3 mil por metro quadrado da área envolvida. Trata-se de uma média do pacote, que reúne imóveis com características e participações diferentes, sem abertura dos preços por empreendimento.
Segundo a área de pesquisa da SiiLA, o cap rate estabilizado estimado caso haja a concretização da oferta recebida pelo Valora é de 8,06%.
O comunicado divulgado pela Valora ao mercado não identifica o potencial comprador e tampouco informa se o preço representa desconto ou prêmio em relação aos laudos dos ativos. Também não detalha o destino dos recursos de uma eventual venda.
De bancos a instituição de ensino
O portfólio em negociação reúne imóveis com diferentes perfis de ocupação. Segundo o Market Analytics, da SiiLA, o VGRI11 detém 25% do Brazilian Financial Center, empreendimento sem áreas vagas e com presença de empresas dos setores financeiro, de comunicação e de escritórios compartilhados.
Entre os principais inquilinos do BFC estão Itaú, com 9.041 m², WeWork, com 8.900 m², e Banco Pan, com 8.520 m². CNN Brasil, com 2.901 m², e Too Seguros, com 1.780 m², também ocupam o edifício. As metragens se referem às ocupações no empreendimento, e não exclusivamente à participação do fundo.
No Centro Empresarial Transatlântico, o VGRI11 possui 28,4% de participação. O levantamento da SiiLA aponta vacância de 11% no empreendimento e identifica, entre os principais ocupantes, Rockwell Automation e CSN Cimentos, com 2.104 m² cada, além da EMC Computer System, com 1.578 m².
Já os blocos A e B do Edifício Burity pertencem integralmente ao fundo e têm o Colégio Catamarã como inquilino. O Edifício Volkswagen também é detido integralmente pelo VGRI11 e ocupado pela montadora. Ambos apresentam vacância zero, de acordo com o Market Analytics (veja gráfico).Renovação de contrato e obrigações financeiras
No relatório divulgado pelo FII em agosto, a Valora destacou a renovação da locação do Edifício Volkswagen por mais cinco anos. A extensão do contrato antecede a proposta de compra do pacote e amplia o prazo de permanência contratado de um dos ocupantes dos ativos envolvidos.
O mesmo documento registrava passivo total de R$ 481,4 milhões, incluindo R$ 332,5 milhões em obrigações por aquisições e R$ 146,2 milhões em financiamento concedido pelo vendedor de imóveis. Os números têm data-base de agosto e não representam, necessariamente, os valores atuais de quitação.
A proposta pode alterar de forma relevante a composição da carteira, mas o comunicado atual não estabelece uma nova estratégia de investimento nem confirma outra etapa de redução das dívidas.
Venda anterior movimentou R$ 345 milhões
No começo deste ano, o mesmo fundo assinou a escritura de venda de toda a sua participação no Edifício Cidade Jardim, correspondente a 7.458 m² de ABL. O preço foi equivalente a R$ 46,2 mil por metro quadrado. A negociação já havia sido revelada pelo REsource em agosto de 2025.
Somados, o valor daquela transação e o da proposta agora recebida alcançam R$ 895 milhões. A cifra reúne uma venda formalizada e uma negociação ainda em análise, sem representar receita já recebida pelo fundo.
Administrador e gestora informaram que manterão os cotistas e o mercado atualizados conforme a análise da proposta e a evolução das negociações. Até o momento, o documento divulgado não confirma o fechamento da operação.










